O anúncio de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos, feito na madrugada desta quinta-feira (16), foi imediatamente capturado pelas pré-campanhas presidenciais de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). A disputa para colar a responsabilidade no adversário gerou uma guerra de apelidos — “Tariflávio” contra “Biden brasileiro” — e expôs a centralidade da política externa na corrida eleitoral de 2026.
Pesquisa Genial/Quaest divulgada hoje revela que 51% dos eleitores atribuem ao senador Flávio Bolsonaro a culpa pelo tarifaço, enquanto 30% responsabilizam o presidente Lula. O levantamento, feito após o anúncio do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), mostra como a percepção pública já está moldada pela narrativa das campanhas.
A ofensiva petista incluiu a divulgação de vídeos e peças que ligam o senador a Donald Trump, enquanto o PL respondeu com montagens que comparam Lula ao ex-presidente Joe Biden, sugerindo inação do governo brasileiro. A troca de acusações dominou as redes sociais ao longo do dia, com as duas campanhas buscando fixar suas versões antes que o governo federal se pronunciasse oficialmente.
Em nota, o diretório nacional do PT afirmou que “Flávio Bolsonaro é o representante dos interesses de Trump no Brasil” e que a tarifa é “resultado da subserviência da família Bolsonaro”. O PL, por sua vez, divulgou comunicado em que chama Lula de “presidente ausente” e cobra “ação imediata” do Itamaraty.
O USTR comunicou a imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre importações brasileiras, com vigência a partir de 22 de julho. O órgão americano, no entanto, não detalhou quais setores ou produtos serão atingidos, nem publicou o documento oficial da decisão até o fechamento desta edição. A medida repete o uso da Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, instrumento que o governo Trump tem utilizado para pressionar parceiros comerciais, e ocorre em um momento de acirramento da disputa comercial global.
Memes e acusações
O PT intensificou nas redes sociais o apelido “Tariflávio”, cunhado em junho, quando o PIRANOT mostrou como a militância transformou a tarifa de Trump em meme contra o senador. A estratégia busca associar Flávio Bolsonaro ao governo americano e à decisão que pode encarecer produtos brasileiros no mercado dos EUA. “O Tariflávio foi aos Estados Unidos e voltou com uma conta de 25% para o povo brasileiro”, diz uma peça divulgada pelo PT.
Já o senador Flávio Bolsonaro reagiu classificando Lula de “Biden brasileiro”, em referência ao ex-presidente americano Joe Biden, e acusou o governo de inação diante do tarifaço. “Enquanto o mundo negocia, o Brasil dorme”, afirmou o pré-candidato em publicação nas redes. A campanha de Lula, por sua vez, rebateu dizendo que o senador “conspira com Trump contra os interesses nacionais”.
Silêncio do Itamaraty e próximos passos
O governo brasileiro, por meio do Itamaraty, não se manifestou oficialmente sobre as novas tarifas até a publicação desta reportagem. A ausência de uma resposta imediata alimenta as críticas da oposição, que cobra uma reação diplomática ou comercial. O Palácio do Planalto também não informou se buscará negociações com Washington ou se adotará retaliações.
As tarifas entram em vigor em 22 de julho. Até lá, o governo Lula terá de decidir se tenta reverter a medida por canais diplomáticos ou se explora o episódio como bandeira de soberania na campanha. Enquanto isso, a guerra de narrativas deve se intensificar, com as duas pré-campanhas usando o tarifaço para mobilizar suas bases e tentar influenciar a opinião pública. O dado da Quaest indica que, até agora, a narrativa petista tem tido mais aderência, mas o cenário pode mudar com a reação do governo.











