O Nubank anunciou nesta quarta-feira (15) a promoção de Livia Chanes a CEO da América Latina, unificando o comando das operações no Brasil, México e Colômbia, segundo comunicado da empresa. A mudança ocorre cinco dias após a fintech obter autorização para operar como banco no México, etapa que consolida a expansão regional da empresa.
A reorganização coloca a executiva brasileira à frente de uma base de 135 milhões de clientes e reflete a estratégia de exportar o modelo de negócios desenvolvido no país, onde o Nubank já investiu R$ 45 bilhões em 2026. A companhia afirma que as unidades locais manterão autonomia, mas a nova estrutura sinaliza a centralidade da operação brasileira na tomada de decisões.
Segundo o comunicado, os responsáveis pelas operações no México, Armando Herrera, e na Colômbia, Marcela Torres, passam a se reportar diretamente a Chanes. A executiva, que ingressou na empresa em 2018 como vice-presidente de produtos, assumiu a presidência da operação brasileira em 2022 e tornou-se CEO do país no início de 2024. Sob sua liderança, a base nacional saltou de 65 milhões para 115 milhões de clientes.
A licença bancária no México, concedida pela Comisión Nacional Bancaria y de Valores (CNBV) em 10 de julho, conforme noticiado, permitirá que o Nubank se torne o maior banco digital do país, onde já conta com 15 milhões de clientes. A autorização representa um marco para a fintech, que agora pode oferecer uma gama mais ampla de serviços financeiros no mercado mexicano, replicando a estratégia que a tornou líder no Brasil.
Expansão mexicana como motor da reorganização
A decisão de unificar o comando regional sob Chanes está diretamente ligada ao avanço regulatório no México. Com a licença, o Nubank precisa integrar operações, produtos e equipes em um mercado que já responde por 15 milhões de usuários. A empresa não detalhou o cronograma de migração dos clientes mexicanos para a nova estrutura bancária, mas informou que a etapa final do processo regulatório ainda está em curso.
O movimento ocorre em um momento de aquecimento do setor de fintechs na América Latina. Em julho, o PIRANOT noticiou que o BTG Pactual coliderou uma rodada de US$ 85 milhões na Addi, maior fintech da Colômbia, sinalizando o apetite de investidores pela região.
O peso do Brasil na estratégia regional
O Brasil concentra 115 milhões dos 135 milhões de clientes do Nubank e é o laboratório onde a fintech testa produtos antes de levá-los a outros países. Em 2026, a companhia anunciou investimento de R$ 45 bilhões no país, valor que inclui expansão da oferta de crédito, tecnologia e a plataforma Nu Empresas, que já reúne 6 milhões de clientes pessoa jurídica.
A experiência brasileira de Chanes — que comandou o salto de 50 milhões de usuários em pouco mais de dois anos — foi determinante para a promoção. A executiva agora terá o desafio de replicar esse crescimento no México e na Colômbia, mercados com realidades regulatórias e concorrenciais distintas. A empresa afirma que o modelo brasileiro serve de referência de rentabilização para as operações internacionais.
Integração de produtos e próximos passos
O Nubank não divulgou quais serão as primeiras medidas de integração de produtos sob a nova gestão unificada. A expectativa é que a licença bancária mexicana permita o lançamento de conta corrente, cartões adicionais e produtos de investimento nos moldes do portfólio brasileiro. A empresa também não informou se a reorganização trará mudanças para os clientes atuais ou se haverá alteração nas taxas e serviços.
A conclusão da etapa final do processo regulatório no México é o próximo marco concreto. Até lá, a estrutura de comando já está definida: Livia Chanes responde pela América Latina, com os CEOs locais mantendo autonomia operacional, mas alinhados à estratégia regional. O mercado agora aguarda os primeiros sinais de integração e os impactos nos resultados financeiros do segundo semestre.











