terça-feira, julho 7
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Economia

EUA compram mais do exterior e déficit comercial salta a US$ 77,6 bi

· 3 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • Saldo negativo aumentou US$ 23 bilhões em um mês, segundo dados revisados do governo americano.
  • Exportações somaram US$ 317,7 bilhões, enquanto importações chegaram a US$ 395,3 bilhões.
  • Resultado interrompeu o recuo visto em abril e reforçou a volatilidade do comércio externo dos EUA.
  • Indicador pode afetar exportadores brasileiros, commodities e a liquidez global do dólar.

O déficit comercial dos Estados Unidos subiu para US$ 77,6 bilhões em maio de 2026, em uma virada forte depois do recuo registrado em abril. O resultado reflete uma combinação direta: o país vendeu menos ao exterior e comprou mais de outros mercados.

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As exportações americanas caíram 3,2%, para US$ 317,7 bilhões. As importações avançaram 3,3%, para US$ 395,3 bilhões. Com isso, a diferença entre compras e vendas externas aumentou US$ 23 bilhões em relação a abril, quando o déficit revisado ficou em US$ 54,6 bilhões.

O número foi divulgado nesta terça-feira (7) pelo Departamento do Comércio dos EUA, com estatísticas do U.S. Census Bureau e do Bureau of Economic Analysis. A leitura revisada de abril substitui a estimativa preliminar de US$ 55,9 bilhões e passa a ser a base correta de comparação.

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Importações crescem e mudam o sinal da balança

A sequência recente mostra uma balança externa instável. O déficit havia sido de US$ 56,6 bilhões em março, caiu para US$ 54,6 bilhões em abril e saltou para US$ 77,6 bilhões em maio. A mudança mais importante não está apenas no tamanho do rombo, mas na direção oposta dos dois fluxos: exportações para baixo, importações para cima.

Esse movimento pode ter leituras diferentes. Um déficit maior pode indicar consumo interno ainda forte, empresas recompondo estoques ou maior dependência de bens vindos de fora. Também pode expor perda de fôlego das vendas americanas ao exterior. O dado de maio, sozinho, mostra o desequilíbrio comercial; a leitura sobre tendência depende da repetição do movimento nos próximos meses.

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Para os mercados, a balança comercial americana entra no cálculo sobre crescimento, demanda global e fluxo de dólares. O efeito sobre câmbio, juros e commodities, porém, não é mecânico: depende também da política monetária dos EUA, do apetite por risco e da percepção sobre a atividade econômica.

Brasil observa demanda americana e disputa por mercado

O dado interessa ao Brasil porque os Estados Unidos são um destino relevante para bens industriais, insumos e produtos ligados a cadeias globais. Quando a maior economia do mundo aumenta compras externas, exportadores brasileiros olham para a composição desse avanço: o ganho pode abrir espaço em alguns setores ou simplesmente refletir importações concentradas em outros fornecedores.

A relação também passa pelo dólar. Um déficit comercial maior pode alterar a leitura sobre o fluxo global da moeda americana, mas a reação do real costuma depender de um conjunto mais amplo de fatores, como juros, commodities, risco político e entrada ou saída de capital financeiro.

O salto de maio aparece em um momento em que o comércio bilateral já vinha cercado por tensão tarifária. Em junho, o Brasil abriu uma rodada técnica com os Estados Unidos para tentar conter tarifa de até 37,5%, em uma negociação que envolve competitividade, acesso a mercado e custo para empresas exportadoras.

O impacto fiscal para o Brasil é indireto. Se a variação do comércio americano afetar câmbio, preços de commodities ou receitas de exportadores, pode haver reflexos sobre arrecadação e custos de importação. Por enquanto, o dado mais concreto é o de origem: em maio, os EUA ampliaram compras externas, reduziram vendas ao exterior e voltaram a registrar um déficit comercial bem maior que o de abril.


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