O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, pediu neste sábado (4) que Donald Trump assuma uma “resolução americana” para encerrar a guerra contra a Rússia, num movimento para recolocar Washington no centro das negociações de paz.
“Há uma perspectiva real de acabar com esta guerra e a determinação americana terá um significado crucial”, afirmou Zelensky, em comunicado divulgado após contato com o presidente dos Estados Unidos. A declaração transforma o apelo ucraniano em pressão direta sobre Trump, que voltou à Casa Branca com uma postura menos alinhada a Kiev do que a adotada por Joe Biden.
A Casa Branca não divulgou uma resposta pública ao pedido. Sem esse sinal, Zelensky tenta fixar uma mensagem política: para Kiev, qualquer acordo viável depende de envolvimento americano, seja por garantias de segurança, pressão sobre Moscou, apoio militar ou uma combinação dessas frentes.
Do lado russo, Vladimir Putin manteve a linha dura. Em conversa separada com Trump, o presidente russo reiterou que Moscou pretende tomar todo o Donbass, região no leste da Ucrânia que está no centro da guerra e das exigências territoriais russas. A posição reduz o espaço para uma negociação imediata, porque Kiev rejeita reconhecer perdas territoriais impostas pela invasão.
Pressão por cessar-fogo esbarra em exigência territorial russa
O pedido a Trump dá sequência à tentativa de Zelensky de abrir uma via política para o fim do conflito. Em 4 de junho de 2026, o presidente ucraniano propôs um encontro direto com Putin e defendeu um cessar-fogo total, resumido na frase “Chega de guerra”. A iniciativa não destravou uma resposta russa capaz de abrir negociações concretas.
A guerra já atravessa mais de quatro anos desde a invasão russa de 2022 e entrou numa fase em que os gestos diplomáticos têm pouco efeito sem garantias externas. Para a Ucrânia, o apoio dos Estados Unidos continua decisivo para sustentar sua posição militar e evitar que um eventual acordo consolide ganhos territoriais russos.
Trump, porém, tem tratado o conflito com mais distância do que seu antecessor. Seu governo defende um fim negociado, mas não apresentou publicamente garantias claras a Kiev sobre segurança territorial ou integração à Otan. Em paralelo, o Congresso americano já demonstrou resistência a ampliar a margem de ação presidencial em temas de guerra, num sinal de que qualquer iniciativa dos EUA também passa por disputa interna em Washington.
O impasse tem alcance além da Europa. A guerra pressiona cadeias globais de energia e fertilizantes, dois setores sensíveis para o Brasil, especialmente pelo peso das importações de insumos agrícolas. Por isso, uma mudança na posição americana pode influenciar não apenas o ritmo das negociações, mas também expectativas de custo no agronegócio e nos mercados internacionais.
Por ora, a consequência prática é uma disputa de pressão: Zelensky tenta comprometer Trump com uma saída negociada, Putin reafirma a meta de controlar o Donbass e Washington mantém em aberto qual papel pretende exercer para destravar uma proposta de paz.











