A Petrobras abasteceu o navio Olavo Bilac, da Transpetro, com 400 toneladas de bunker B30, combustível marítimo com 30% de conteúdo renovável. A operação ocorreu na quarta-feira (1º), no Porto de Roterdã, na Holanda, e marca um avanço da estatal na oferta de alternativas de menor emissão para a navegação.
A companhia estima que a mistura reduza em cerca de 22% as emissões de gases de efeito estufa em comparação ao combustível marítimo convencional. O cálculo considera a composição usada no abastecimento do Olavo Bilac, navio da frota da Transpetro.
O movimento amplia a aposta da Petrobras em combustíveis renováveis num segmento em que a transição energética costuma ser mais lenta. Navios têm vida útil longa, exigem grande volume de combustível e dependem de infraestrutura portuária capaz de garantir fornecimento regular em rotas internacionais.
B30 eleva a mistura renovável usada no combustível marítimo
O bunker é o combustível usado na operação de embarcações. No caso do B30, 30% da composição tem origem renovável. A Petrobras já comercializava bunker com 24% de conteúdo renovável; o abastecimento em Roterdã eleva esse patamar e testa uma formulação mais ambiciosa para a navegação.
A diferença é relevante porque permite reduzir a intensidade de carbono da viagem sem exigir, de imediato, a substituição do navio. Para armadores e operadores logísticos, esse tipo de solução pode funcionar como ponte entre a frota atual e metas ambientais mais rígidas no transporte marítimo.
Operação reforça estratégia de renováveis da Petrobras
O abastecimento do Olavo Bilac ocorre em meio a uma ofensiva da Petrobras para ampliar produtos de menor emissão. Em junho, a estatal aprovou investimentos bilionários para transformar Cubatão em polo de biorrefino, com foco na diversificação da matriz de combustíveis.
Na navegação, a pressão por descarbonização vem de clientes, financiadores e regras ambientais que avançam sobre cadeias globais de transporte. O uso de misturas renováveis no bunker entra nesse tabuleiro porque ataca uma parte sensível das emissões: o deslocamento de cargas por longas distâncias.
A Petrobras não informou o custo da operação, nem detalhou eventual cronograma para abastecer outros navios com B30. Também não divulgou efeitos sobre contratos comerciais de longo prazo. Por ora, o dado concreto é o teste em escala operacional, com 400 toneladas entregues a um navio da Transpetro em um dos principais portos do mundo.
Se ganhar escala, o B30 pode se tornar uma alternativa para reduzir emissões da logística marítima sem paralisar frotas em operação. O próximo passo comercial dependerá da capacidade da Petrobras de repetir o fornecimento, comprovar rastreabilidade do conteúdo renovável e transformar o ganho ambiental em produto competitivo para clientes do setor.









