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Economia

PF apura fraude no Digimais, banco de Edir Macedo, e põe CDBs em alerta

· 3 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • Banco afirma ter liquidez bilionária, mas não detalha publicamente a composição dos recursos
  • Operação Miragem apura suspeita de fraude contábil e superavaliação de ativos
  • Instituição já era fiscalizada pelo Banco Central desde 2023 por balanços questionados
  • Aporte do Grupo Record reforçou o caixa em meio à pressão sobre a situação financeira
  • Clientes e investidores monitoram capacidade de honrar saques, CDBs e obrigações

A Polícia Federal investiga o Banco Digimais, controlado pelo bispo Edir Macedo, por suposta fraude contábil e manipulação de demonstrações financeiras. A Operação Miragem, deflagrada no dia 23 de junho, cumpriu nove mandados de busca e apreensão com mais de 50 policiais federais e levou a Justiça Federal de São Paulo a decretar o congelamento de até R$ 670 milhões em bens e valores dos investigados.

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O esquema apontado pela PF envolve a subscrição de cotas de um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC), operação que teria servido para transferir ativos problemáticos ao fundo e melhorar artificialmente os indicadores contábeis do banco. Segundo a corporação, dirigentes do Digimais tentaram “induzir a erro” o mercado e o Banco Central sobre a real situação financeira da instituição.

A investigação coloca sob suspeita a declaração de liquidez próxima a R$ 2 bilhões divulgada pelo banco. O montante, registrado após um aporte do Grupo Record — também controlado por Macedo —, não tem composição detalhada em documento público: não se sabe quanto se refere a caixa efetivo, aplicações de alta liquidez ou outros ativos realizáveis.

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Banco Central já havia identificado irregularidades desde 2023

O Digimais já estava sob fiscalização do Banco Central desde 2023, quando o regulador identificou irregularidades e determinou correções nos balanços. A instituição trocou de auditoria após alertas de suspeita de fraude contábil — sinal de que as preocupações com a qualidade dos números vinham de antes da operação policial.

O caso guarda semelhanças com o Banco Master, cujo colapso expôs práticas de superavaliação de ativos e fragilidade contábil. A comparação preocupa o mercado porque, em ambos, a aparência de solidez escondia problemas estruturais — e porque o volume de obrigações pode pressionar o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) em caso de liquidação.

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CDBs pagavam até 140% do CDI e agora preocupam investidores

Os CDBs do Digimais eram vendidos com frequência em plataformas de investimento e chegaram a pagar entre 125% e 140% do CDI — retornos bem acima da média que atraíram poupadores. Com a operação da PF, o risco de o banco ser liquidado pelo Banco Central aumentou, e especialistas recomendam aos investidores aguardar antes de se desfazer dos títulos para não realizar prejuízo.

O FGC cobre depósitos e investimentos elegíveis dentro dos limites do sistema — atualmente R$ 250 mil por instituição e por CPF. Se o Digimais for liquidado, o fundo precisaria arcar com os valores garantidos, o que reabre o debate sobre sua capacidade após o desgaste do caso Master.

BTG avalia compra e Banco Central decide próximos passos

O BTG Pactual afirmou acompanhar a situação do Digimais e avaliar uma oportunidade de compra. Uma eventual aquisição, capitalização ou solução negociada poderia reduzir o risco de ruptura, mas depende de dados regulatórios e da avaliação de passivos — tarefa complexa diante da suspeita de manipulação contábil.

O desfecho depende do Banco Central, que pode manter a fiscalização, exigir ajustes patrimoniais, conduzir uma solução privada — como a aplicada ao Banco Panamericano em 2010 — ou decretar intervenção. O Digimais, em nota, afirmou que está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos e colaborar com a Justiça.


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