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Economia

Importadores dos EUA tentam barrar tarifa de Trump contra produtos do Brasil

· 3 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • Tarifa foi proposta pelo USTR em investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio
  • Pix virou foco da disputa por reduzir espaço de cartões e intermediários privados
  • Empresas americanas dizem que medida pode encarecer cadeias dependentes do Brasil
  • Setor de pedras semipreciosas está entre os que buscam evitar impacto nas importações

Empresas dos Estados Unidos tentam conter a proposta do governo Donald Trump de aplicar uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Importadoras apresentaram pedidos ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, o USTR, para barrar a medida ou obter isenções antes de uma decisão formal.

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A ofensiva empresarial expõe uma contradição prática da política tarifária americana: uma taxa criada para pressionar o Brasil pode encarecer custos dentro dos próprios Estados Unidos. O argumento central das companhias é que parte dos insumos comprados de fornecedores brasileiros não tem substituição imediata em outros mercados.

A proposta aparece no contexto de uma investigação comercial aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, instrumento usado por Washington para reagir a práticas consideradas desleais. No caso brasileiro, o Pix entrou no centro da disputa por ter reduzido a dependência de cartões e intermediários privados desde sua criação pelo Banco Central, em 2020.

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Pressão mira exceções antes da cobrança

A tarifa ainda não está em vigor. Por isso, a pressão das empresas se concentra na fase em que o governo americano pode manter a proposta, alterar a lista de produtos atingidos ou criar exceções por setor, item ou cadeia produtiva.

Entre os segmentos citados está o de pedras semipreciosas, no qual importadores americanos apontam dependência de fornecedores brasileiros. Para essas empresas, a substituição apressada de origem poderia elevar preços, atrasar entregas e reduzir a oferta de determinados produtos no mercado dos Estados Unidos.

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O efeito de uma sobretaxa de 25% é direto. Uma carga de US$ 100 mil em produtos alcançados pela medida passaria a ter US$ 25 mil adicionais em imposto de importação, antes de frete, seguro, margem comercial e distribuição. Esse aumento pode chegar ao consumidor final ou comprimir a margem de empresas que dependem do Brasil.

Disputa pelo Pix transborda para o comércio de bens

O ponto sensível da disputa é que a reclamação americana nasce no setor de pagamentos, mas a resposta tarifária mira bens exportados pelo Brasil. O Pix é tratado pelo Banco Central como infraestrutura pública de pagamentos instantâneos; para a administração Trump, o sistema passou a integrar uma discussão mais ampla sobre concorrência e acesso de empresas americanas ao mercado brasileiro.

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Essa combinação amplia o alcance político e econômico do caso. Exportadores brasileiros podem perder competitividade no mercado americano, enquanto importadores dos Estados Unidos tentam evitar uma alta de custos em cadeias que já têm fornecedores, contratos e prazos estruturados em torno de produtos brasileiros.

No Brasil, a preocupação recai sobre setores exportadores e regiões ligadas à extração, beneficiamento, transporte e comércio exterior. Estados com presença relevante em cadeias de pedras, minerais e bens industriais podem sentir o efeito caso a tarifa avance sem exceções.

Decisão do USTR define alcance da tarifa

O desfecho depende da decisão do USTR. O órgão pode preservar a tarifa de 25% como foi proposta, reduzir seu alcance ou aceitar pedidos de exclusão apresentados por empresas que afirmam depender de fornecedores brasileiros.

Enquanto a cobrança não entra em vigor, a disputa permanece no campo regulatório e político. Para exportadores brasileiros e importadores americanos, o ponto decisivo será a lista final de produtos atingidos e a existência, ou não, de isenções que evitem a alta imediata de custos nas cadeias ligadas ao Brasil.