O Ministério Público do Rio de Janeiro e a Polícia Civil deflagraram nesta quinta-feira (18) uma operação contra o deputado estadual Val Ceasa (PRD), investigado sob suspeita de favorecer interesses do Terceiro Comando Puro, o TCP, facção criminosa que disputa territórios no estado.
A ofensiva cumpre 14 mandados de busca e apreensão. As diligências incluem a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e outros endereços ligados aos investigados. Além de Val Ceasa, também aparecem entre os alvos o ex-vereador Ulisses Marins e o ex-assessor parlamentar Michael Johnny Vianna de Azevedo.
Val Ceasa nega envolvimento com facção criminosa e afirma ser vítima de perseguição política. O parlamentar não é alvo de condenação criminal no caso, e a investigação ainda depende da análise do material recolhido nas buscas.
O que a investigação atribui ao deputado
A suspeita central é que agentes públicos tenham atuado para proteger interesses associados ao TCP. Uma das frentes trata de uma possível tentativa de obter informações sobre uma operação sigilosa no 16º Batalhão da Polícia Militar, em dezembro de 2023.
Essa ação teria relação com a demolição de um imóvel associado a um traficante conhecido como Peixão, apontado como liderança do TCP. A demolição acabou adiada. O ponto é tratado como hipótese investigativa e não como fato já provado contra o deputado.
Os investigadores também analisam transações imobiliárias atribuídas a Val Ceasa que somariam mais de R$ 13 milhões. O valor aparece na investigação como elemento patrimonial sob exame, sem conclusão pública sobre eventual origem ilícita dos recursos.
Dinheiro, armas e outros alvos
Durante a operação, agentes apreenderam R$ 341 mil e cinco armas. Duas pessoas foram detidas no curso das diligências. As autoridades ainda não detalharam publicamente a situação processual de todos os envolvidos.
Ulisses Marins, ex-vereador, é investigado na mesma linha sobre eventual atuação política em favor da facção. Michael Johnny Vianna de Azevedo, ex-assessor parlamentar e funcionário da RioLuz, também está entre os alvos da operação.
O TCP é apontado pelas autoridades de segurança como uma das principais facções do Rio e rival do Comando Vermelho. A presença de um deputado estadual entre os investigados amplia o peso institucional do caso, porque leva a suspeita de infiltração do crime organizado para dentro do ambiente legislativo.
Pressão sobre a Alerj
A operação ocorre em meio a um histórico recente de investigações sobre a aproximação entre políticos fluminenses e organizações criminosas. O Ministério Público do Rio já afirmou, em manifestações sobre esse tipo de caso, que o crime organizado avançou sobre estruturas políticas do estado.
No plano imediato, a medida contra Val Ceasa é de busca e apreensão. Não há anúncio de pedido de prisão preventiva contra o deputado nem de abertura de processo de cassação na Assembleia. Qualquer punição criminal ou política depende de novas decisões das autoridades competentes e, no caso do mandato, de movimentação formal dentro da própria Casa.
Agora, investigadores analisam documentos, valores, armas e demais itens apreendidos para definir se a suspeita de favorecimento ao TCP se sustenta em provas capazes de levar a denúncia criminal ou a novas medidas contra os alvos.











