quinta-feira, junho 18
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Copa do Mundo 2026

Copa 2026 encarece viagem de torcedores com cerveja a R$ 92 e ingresso a US$ 10 mil

· 4 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • Evento nos Estados Unidos, México e Canadá é apontado como o mais caro da história do torneio
  • Comparação com a Copa de 1994 mostra que preço do ingresso da final subiu 10 vezes
  • Procuradoras de Nova York e Nova Jersey investigam práticas abusivas na venda de entradas
  • FIFA chegou a cobrar ingressos que haviam sido liberados gratuitamente por falha no sistema

A Copa do Mundo de 2026 abriu uma conta pesada para quem decidiu acompanhar o torneio de perto nos Estados Unidos, no México e no Canadá. Nos estádios, uma cerveja pode sair por valores entre R$ 80 e R$ 92, enquanto ingressos de categorias premium chegam a US$ 10 mil — cerca de R$ 50 mil na cotação atual. Para o torcedor brasileiro, a combinação de preço dinâmico, dólar valorizado e deslocamentos longos transforma a viagem em um gasto que pode superar R$ 20 mil antes mesmo de incluir compras e extras.

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O salto aparece em várias frentes. Há relatos de torcedores que desembolsaram o equivalente a um mês de aluguel apenas para entrar no estádio. O norueguês Morten Oftedal afirmou ter gasto cerca de R$ 20 mil para acompanhar partidas do Mundial. A variação entre sedes também pesa: o preço da bebida muda de estádio para estádio, e a alimentação dentro das arenas segue a lógica de evento premium, com pouca margem para economia.

Final fica dez vezes mais cara que em 1994

A comparação mais direta é com a Copa de 1994, a última realizada nos Estados Unidos antes desta edição. O ingresso para a final de 2026 aparece em patamar aproximadamente dez vezes maior que o cobrado há três décadas. O contraste ajuda a explicar por que a discussão deixou de ser apenas esportiva: a Copa ampliada para 48 seleções e disputada em três países também se tornou um teste de limite para o bolso do torcedor.

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O modelo de preços dinâmicos adotado pela Fifa torna a compra menos previsível. Na prática, valores podem variar conforme demanda, fase do torneio, categoria do assento e pacote oferecido. Em março, a entidade definiu as empresas responsáveis por pacotes de viagem e hospitalidade, segmento que concentra experiências de maior valor e empurra parte da oferta para faixas inacessíveis ao torcedor comum.

Dólar e deslocamentos elevam a conta dos brasileiros

Para brasileiros, o câmbio amplia o impacto. Com o dólar oscilando perto de R$ 5,20 em junho, qualquer gasto cotidiano nos Estados Unidos ou no Canadá ganha peso imediato no orçamento. Uma passagem de trem entre cidades-sede pode chegar a US$ 98, cerca de R$ 490. Hospedagem, alimentação, transporte urbano e taxas completam uma conta que cresce a cada jogo acrescentado ao roteiro.

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A distância entre sedes também complica a vida de quem planeja seguir uma seleção. Diferentemente de Copas concentradas em um único país menor, a edição de 2026 obriga parte dos torcedores a cruzar grandes distâncias entre jogos. Isso aumenta a dependência de voos, trens e hotéis em datas de alta procura, justamente quando os preços costumam subir.

Produtos oficiais reforçam a sensação de Copa premium

O encarecimento não fica restrito ao ingresso. Souvenirs oficiais vendidos nas sedes chegam a R$ 1.580 para torcedores brasileiros. Produtos ligados ao torneio também entraram na lógica de consumo de luxo: chuteiras especiais lançadas no período da competição alcançaram R$ 2.300. Para famílias, a soma de camisa, lembranças, comida e transporte pode transformar um único dia de jogo em despesa de vários milhares de reais.

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O efeito aparece nas arquibancadas. A partida entre Canadá e Bósnia registrou cadeiras vazias mesmo após aumento de 127% no preço dos ingressos. O dado expõe a tensão central desta Copa: a Fifa expande o torneio, multiplica mercados e aumenta a receita potencial, mas parte do público que sustenta a atmosfera dos estádios encontra dificuldade para pagar a experiência completa.

A pressão sobre os preços já havia provocado reação antes do início do Mundial. Procuradoras de Nova York e Nova Jersey abriram investigação sobre a venda de ingressos após denúncias de práticas abusivas. No começo de junho, a Fifa também cobrou entradas que haviam sido liberadas gratuitamente por uma falha no sistema. A Copa segue até 19 de julho, com 48 seleções, mas o primeiro balanço para o torcedor já está claro: assistir ao torneio de perto exige planejamento financeiro de viagem internacional de alto padrão.