A Polícia Federal afirmou ao Supremo Tribunal Federal que Daniel Vorcaro bancou R$ 468.721,78 em viagens do senador Ciro Nogueira (PP-PI), líder do PP no Senado, dentro da investigação sobre o caso Master. Para os investigadores, os pagamentos fazem parte de uma relação de “mutualismo ilícito” entre o banqueiro e o parlamentar, suspeita que ainda depende de análise do Ministério Público e de decisão judicial.
As informações constam de relatório tornado público pelo ministro André Mendonça, relator do caso no STF. A PF atribui a Vorcaro o custeio de deslocamentos e hospedagens de luxo para Ciro, com destinos como Paris, Nova York, Lisboa e Courchevel. Em uma das despesas citadas, a diária de hotel chegou a R$ 24 mil.
Além das viagens, o relatório menciona mensagens que indicariam uma mesada mensal entre R$ 300 mil e R$ 500 mil, uma suspeita de entrega de R$ 350 mil em dinheiro vivo e o envio de três propostas legislativas ligadas ao Banco Master ao gabinete do senador. Ciro é investigado por suspeita de corrupção passiva; a condição de investigado não equivale a culpa.
PF vê troca de benefícios por interesse político
O eixo da investigação é saber se os benefícios atribuídos a Vorcaro tinham contrapartida política no Congresso. A PF sustenta que a relação entre o banqueiro e Ciro ultrapassaria a amizade pessoal e teria servido para orientar interesses do Banco Master junto ao Legislativo.
O ponto mais sensível é a possível conexão entre pagamentos, viagens e atuação parlamentar. No relatório, os investigadores afirmam que propostas de interesse do banco chegaram ao gabinete de Ciro. O documento tornado público, porém, não detalha quais eram esses textos nem se avançaram formalmente no Senado.
Viagens de luxo entram na conta da investigação
Os R$ 468,7 mil atribuídos a Vorcaro cobrem passagens, hospedagens e despesas de viagens internacionais. A lista de destinos citados pela PF reforça a suspeita de que o senador teria recebido tratamento privilegiado do banqueiro em deslocamentos de alto custo.
Os investigadores também apontam conversas sobre valores mensais que variariam de R$ 300 mil a R$ 500 mil. Em outro trecho, a PF trata como indício uma referência a R$ 350 mil em espécie que teriam sido transportados em avião. Essas citações ainda precisam ser confrontadas com outros elementos do inquérito antes de qualquer acusação formal.
Caso Master alcança um dos nomes centrais do Senado
A entrada de Ciro Nogueira no centro da investigação amplia o peso político do caso Master. O senador é presidente nacional do PP, líder da bancada no Senado e aliado histórico do ex-presidente Jair Bolsonaro. Por exercer mandato parlamentar, ele tem foro no Supremo.
A investigação sobre Vorcaro e operadores ligados ao Banco Master já resultou em prisões e medidas judiciais. Agora, a frente que envolve Ciro mira a suspeita de que interesses privados do grupo tenham buscado influência dentro do Congresso por meio de pagamentos e vantagens indevidas.
Defesa e próximos passos no Supremo
Nos documentos tornados públicos no STF, não consta manifestação de Ciro Nogueira sobre as suspeitas. Também não há, nesse trecho da investigação, condenação contra o senador. Eventual denúncia depende de manifestação do Ministério Público, e qualquer medida contra o parlamentar precisa passar pelo relator no Supremo.
Com a retirada do sigilo, o caso entra em uma fase de maior exposição política e judicial. O Ministério Público poderá pedir novas diligências, arquivamento parcial ou apresentar denúncia; caberá a André Mendonça decidir os próximos atos no inquérito.











