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Economia

Lula tenta levar acordo Mercosul-Japão à mesa do G7

· 3 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • Planalto vê janela política na cúpula marcada para segunda-feira, na França.
  • Setores de automóveis, energia e cadeias produtivas estão no centro da conversa.
  • Eventual avanço ainda abriria tratativas, sem assinatura imediata de tratado.
  • Indústria brasileira teme maior concorrência japonesa em veículos e componentes.
  • Agenda retoma promessa feita por Lula em março de 2025.

O governo Lula tenta usar a Cúpula do G7, na França, para destravar uma negociação comercial entre Mercosul e Japão. A aproximação mira setores estratégicos, como automóveis, energia e cadeias produtivas, mas ainda está longe de representar um acordo fechado.

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A aposta do Planalto é transformar conversas diplomáticas em uma agenda formal de negociação. Em março de 2025, Lula já havia defendido publicamente que trabalharia por um acordo comercial entre o bloco sul-americano e os japoneses. Agora, com líderes reunidos no G7, o governo vê uma janela para tirar o tema do discurso e levá-lo à mesa.

O movimento se encaixa na estratégia brasileira de diversificar parceiros comerciais em meio ao aumento de tensões protecionistas no mundo. Para Lula, a pauta também reforça o discurso de defesa do multilateralismo, uma das bandeiras que o presidente pretende sustentar durante a cúpula.

Acordo mexe com indústria, tarifas e regras de origem

O ponto mais sensível está no setor automotivo. O Japão tem uma das indústrias de veículos mais competitivas do mundo, enquanto o Mercosul protege parte de sua produção com tarifas, regras de conteúdo regional e acordos específicos dentro do bloco. Qualquer negociação nessa área tende a envolver prazos longos, salvaguardas e tratamento diferenciado para segmentos mais expostos à concorrência externa.

Para empresas brasileiras, o interesse está no acesso a tecnologia, investimentos e novos mercados. Para fabricantes e fornecedores locais, o risco é uma abertura rápida demais em veículos, autopeças e componentes industriais. A conta final dependerá do desenho do eventual tratado: quais produtos entram, em que velocidade as tarifas caem e que exigências serão adotadas para definir a origem dos bens.

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Em cidades com cadeia automotiva relevante, como Piracicaba, o impacto potencial vai além do preço de carros importados. Mudanças nas regras comerciais podem atingir fabricantes de peças, operadores logísticos, oficinas especializadas, prestadores de serviço e fornecedores que dependem das encomendas da indústria instalada no país.

Negociação não significa assinatura imediata

Mesmo que a conversa avance no G7, um acordo comercial entre Mercosul e Japão não nasce pronto. O processo exige mandato político, rodadas técnicas, definição de setores cobertos, cronograma de redução tarifária, regras de origem, mecanismos de proteção e aprovação pelos países do bloco.

A aproximação também ocorre enquanto o governo brasileiro tenta estimular o mercado interno de veículos. Em maio, Lula anunciou R$ 30 bilhões em crédito para financiar a compra de carro novo, uma política voltada à demanda doméstica que corre em paralelo à agenda externa de comércio.

O encaminhamento imediato é diplomático. Se houver agenda bilateral durante o G7, Brasil e Japão podem dar sinal político para o início das tratativas. A partir daí, o tema passa a depender de negociação com os demais sócios do Mercosul e da definição dos setores que entrarão no pacote.

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