A SpaceX estreou nesta sexta-feira (12) na Bolsa de Nova York com uma marca rara até para Wall Street: levantou US$ 74,4 bilhões, superou o recorde histórico da Saudi Aramco e fechou o primeiro pregão avaliada em mais de US$ 2 trilhões. A ação subiu 19,22% no dia, para US$ 160,95, depois de sair a US$ 135 na oferta inicial.
A abertura de capital também empurrou Elon Musk para um território inédito. Com a valorização da participação na companhia aeroespacial, o empresário chegou ao patamar de primeiro trilionário do mundo, em uma operação que combinou apetite por tecnologia, corrida espacial privada e uma dose visível de euforia financeira em Nova York.
O pregão teve ritmo de estreia histórica. O papel chegou a tocar US$ 176,52 na máxima intradia, antes de perder parte do fôlego e encerrar a sessão a US$ 160,95. Mesmo com o recuo em relação ao pico, o fechamento criou uma referência pública para uma empresa que, até então, era negociada apenas em rodadas privadas e mercados restritos.
IPO deixa recorde da Aramco para trás
A comparação que dominou o mercado foi inevitável. A Saudi Aramco havia estabelecido, em 2019, o maior IPO da história ao levantar US$ 29 bilhões e chegar à bolsa com avaliação próxima de US$ 1,7 trilhão. A SpaceX ultrapassou as duas marcas: captou cerca de 2,5 vezes mais e saiu da oferta avaliada em US$ 1,77 trilhão.
A diferença ficou ainda maior depois da estreia. Com a alta de 19,22%, o valor de mercado da companhia passou de US$ 2 trilhões, colocando a empresa fundada por Musk no grupo das maiores companhias globais já no primeiro dia de negociação. O número, agora, passa a oscilar diariamente com o preço das ações.
A oferta consolidou uma mudança de escala para a SpaceX. Em fevereiro de 2026, a companhia era avaliada em cerca de US$ 1,25 trilhão em transações privadas. A precificação final a US$ 135 por ação, definida em 3 de junho, já indicava demanda forte. Nove dias depois, a estreia confirmou que o mercado aceitou pagar ainda mais para ter exposição direta à empresa.
Wall Street celebra nova vitrine para a corrida espacial
A chegada da SpaceX à bolsa levou para o centro do mercado público uma companhia que se tornou símbolo da exploração espacial privada. Fundada em 2002, a empresa construiu sua reputação com lançamentos reutilizáveis, contratos estratégicos e a expansão de projetos como satélites, transporte orbital e missões comerciais.
Em Wall Street, a estreia teve clima de grande evento financeiro, com celebrações, fortunas recalculadas em tempo real e referências ao luxo que costuma acompanhar as maiores operações do mercado, de taças de Dom Pérignon a apostas agressivas de investidores institucionais. Por trás do espetáculo, porém, há uma mudança concreta: a SpaceX passa a prestar contas ao mercado a cada trimestre e a cada pregão.
Essa transparência forçada é parte do preço de entrar na bolsa. Projetos que antes eram avaliados por investidores privados agora serão medidos por receitas, margens, cronogramas, riscos regulatórios e capacidade de cumprir promessas. A ação, que estreou em forte alta, também passa a carregar a pressão típica de empresas avaliadas em trilhões de dólares.
Investidor ganha referência, mas compra outro risco
Para quem participou da oferta, o primeiro dia trouxe ganho imediato: a ação saiu a US$ 135 e fechou a US$ 160,95. Para quem entra depois da estreia, a conta muda. O investidor já compra um papel reprecificado, em uma companhia que chega à bolsa com expectativa elevada e pouca margem para frustração.
A repercussão também atravessou mercados fora dos Estados Unidos. No Brasil, o IPO entrou no radar de investidores em um dia em que a bolsa local acompanhou tanto indicadores domésticos quanto o humor externo. A estreia da SpaceX, sozinha, não explica o movimento dos ativos brasileiros, mas reforçou o apetite global por empresas de tecnologia e infraestrutura estratégica.
A próxima fase será menos festiva e mais objetiva: o mercado vai cobrar da SpaceX números capazes de sustentar uma empresa de mais de US$ 2 trilhões. Por ora, a estreia deixa três marcos claros — o maior IPO da história, uma nova gigante listada em Nova York e Elon Musk no patamar de US$ 1 trilhão.











