sábado, junho 6
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Política

Ciro invoca peso político para explicar relação com Vorcaro

Senador do PP é citado em nova proposta de delação do ex-dono do Banco Master, ainda sob avaliação da Polícia Federal e da PGR.

· 4 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT e Júnior Cardoso

Pontos-chave

  • Senador do PP não é réu nem investigado formalmente no caso, segundo os elementos disponíveis.
  • Nova proposta de delação do ex-dono do Banco Master ainda depende de aval da PF e da PGR.
  • Defesa de Vorcaro entregou documentos na terça-feira, após uma primeira tentativa recusada.
  • Investigadores suspeitaram antes que o ex-banqueiro tentava proteger aliados políticos.
  • Relato também cita Flávio Bolsonaro, ampliando o impacto do caso na direita.

Ciro Nogueira afirmou nesta sexta-feira (5), em Brasília, ser “um dos homens mais importantes do país” ao explicar sua relação com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master preso na Operação Compliance Zero.

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A declaração desloca a defesa do senador para o terreno político: ele tenta apresentar a proximidade com Vorcaro como consequência de sua relevância pública, não como indício de irregularidade. O ponto central agora é se a segunda proposta de delação do ex-banqueiro será aceita pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República.

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A defesa de Vorcaro entregou documentos na terça-feira (3), e o material foi encaminhado à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República. Ciro não é réu nem investigado formalmente no caso, segundo os elementos disponíveis, e a delação ainda não foi homologada.

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Histórico e números do caso Master

Ciro preside nacionalmente o PP, é senador pelo Piauí e figura entre as principais lideranças do Centrão. Vorcaro, ex-dono do Banco Master, foi preso na Operação Compliance Zero, investigação sobre fraudes no banco. A primeira tentativa de delação foi recusada por investigadores, que avaliaram que o ex-banqueiro tentava proteger aliados políticos.

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A nova proposta cita Ciro e Flávio Bolsonaro, senador pelo PL do Rio de Janeiro e pré-candidato à Presidência. O caso ganhou peso nacional por alcançar dois nomes centrais da articulação política de direita; o PIRANOT já mostrou como a disputa em torno de Flávio pressiona o campo bolsonarista.

Entre os dados relacionados ao caso estão férias de 13 dias nos Alpes Franceses, apontadas pela Polícia Federal como pagas por Vorcaro, e mensagens atribuídas a Ciro sobre permanência de 3 a 4 meses em um apartamento ligado ao ex-banqueiro em São Paulo. A proposta também menciona uma suposta mesada de R$ 500 mil por mês, ponto que depende de validação formal pelas autoridades.

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Outro eixo citado no material envolve a negociação de um filme: o valor negociado teria sido de R$ 124 milhões, com repasse de R$ 60 milhões. Esses números aparecem no contexto da proposta de delação, mas ainda não equivalem a acusação judicial aceita.

A defesa pública de Ciro

Ao comentar sua relação com Vorcaro, Ciro disse à imprensa ser “um dos homens mais importantes do país”, em declaração publicada nesta sexta-feira (5) pelo Poder360. A frase foi usada para sustentar que sua circulação entre empresários e autoridades faz parte de sua atuação política.

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Mensagens de WhatsApp divulgadas indicam que o senador pediu para ficar em um apartamento de Vorcaro e, depois, mais tempo para permanecer no imóvel. A publicação das mensagens, tratada pela imprensa a partir de diálogos atribuídos ao senador, não veio acompanhada de autenticação pública pelas autoridades.

Ciro nega que a relação com Vorcaro tenha envolvido vantagem indevida. A linha de defesa busca separar convivência política e pessoal de eventual responsabilidade penal, enquanto a proposta de delação ainda passa pelo filtro da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República.

Vorcaro tenta fazer uma segunda proposta de colaboração depois da recusa inicial. Flávio Bolsonaro também é citado no novo movimento do ex-banqueiro, mas a simples menção em proposta de delação não configura acusação aceita nem abertura automática de investigação.

A decisão pendente sobre a delação

O próximo passo confirmado é a avaliação da documentação pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República. Só depois dessa análise as autoridades poderão decidir se a colaboração tem elementos novos, úteis e verificáveis para avançar.

Também permanece sem publicação oficial a eventual abertura de procedimento contra Ciro. Até agora, o senador aparece como citado na proposta de delação, não como investigado formalmente. A diferença é central para medir o alcance jurídico do caso.

Se a proposta for aceita, os anexos poderão orientar diligências, pedidos de quebra de sigilo ou novas oitivas. Se for recusada, o caso seguirá pelos caminhos já abertos na Operação Compliance Zero, sem o uso formal da colaboração de Vorcaro.


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