A Anthropic, dona do chatbot Claude, protocolou em 1º de junho um pedido confidencial de oferta pública inicial de ações (IPO) na Securities and Exchange Commission (SEC), o regulador do mercado de capitais dos Estados Unidos. O movimento coloca a companhia à frente da rival OpenAI na corrida das empresas de inteligência artificial generativa rumo à bolsa.
O protocolo é apenas a etapa inicial. Em comunicado, a Anthropic afirmou que o pedido “nos dá a opção de abrir o capital após a conclusão da análise pela SEC”, sem se comprometer com data, faixa de preço ou volume de ações. A oferta só sai do papel se a empresa decidir avançar depois da revisão do regulador.
O valuation discutido nos bastidores da operação varia entre US$ 965 bilhões e mais de US$ 1 trilhão, segundo apuração da AP e do Washington Post. O número não foi confirmado pela companhia e tende a oscilar conforme a demanda dos investidores e as condições de mercado até a estreia, estimada para outubro de 2026.
Morgan Stanley, Goldman Sachs e JPMorgan foram contratados para coordenar a oferta, conforme noticiou O Globo nesta quarta-feira (3). A combinação dos três maiores bancos de investimento de Wall Street sinaliza o tamanho da operação: se confirmado, o IPO da Anthropic será o maior de uma empresa de tecnologia desde a estreia da Saudi Aramco, em 2019.
Anthropic ultrapassa OpenAI na largada da bolsa
A virada na corrida pelo mercado público é o ponto mais sensível do anúncio. Em 20 de maio, a OpenAI ainda era apontada como favorita para chegar primeiro à bolsa entre as gigantes de IA generativa. Doze dias depois, foi a Anthropic quem deu o passo formal junto ao regulador americano.
Fundada em 2021 por ex-funcionários da OpenAI, entre eles o atual CEO Dario Amodei, a Anthropic posicionou-se desde o início como a alternativa “segura e ética” no setor de IA. O Claude, seu principal produto, ganhou tração entre 2024 e 2026 como rival direto do ChatGPT, em um mercado em que escala e capital se tornaram pré-requisito para sobreviver.
A AP descreveu o movimento como uma virada relevante na disputa entre as empresas de IA por acesso ao capital dos investidores institucionais. O Washington Post foi além: avaliou que, se confirmada, a oferta levará a exposição à IA a milhões de planos de aposentadoria 401(k) nos Estados Unidos, por meio de fundos que replicam índices de bolsa.
O que falta para a oferta sair do papel
A próxima etapa é a revisão da documentação pela SEC, processo que costuma levar meses e é sigiloso até que a empresa decida tornar o registro público. Só depois dessa fase a Anthropic poderá publicar o prospecto, detalhar a operação e confirmar faixa de preço, quantidade de ações e data de estreia.
Três pontos seguem em aberto: o valuation final que será fixado na precificação, o impacto da abertura de capital sobre a governança do Claude — hoje gerida por uma estrutura de “trust” voltada à segurança da IA — e a resposta da OpenAI, que terá de decidir se acelera seu próprio caminho à bolsa. Para o investidor brasileiro, a exposição direta dependerá da listagem de BDRs ou da inclusão das ações em fundos internacionais, caminhos que só se abrem após a precificação.











