Foram 47 facadas, chutes e uma roda arremessada contra o corpo já caído. As câmeras de segurança da oficina OUD, no Setor de Oficinas Norte, em Brasília, registraram cada golpe do funcionário recém-contratado contra o empresário Flávio Cruz Barbosa, de 49 anos, na tarde de 6 de maio de 2026. A brutalidade da sequência, captada em alta definição, chocou os investigadores da Polícia Civil do Distrito Federal.
Flávio era dono da oficina de funilaria e havia contratado o agressor informalmente havia apenas oito dias. O crime ocorreu sem qualquer discussão prévia, segundo as imagens obtidas pela investigação. O suspeito, de 24 anos, foi preso horas depois e permanece detido no Centro de Detenção Provisória.
A alegação da defesa de que o rapaz sofreria de transtornos mentais não convenceu a Justiça. Em audiência de custódia, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios manteve a prisão preventiva, citando a gravidade concreta do crime e o risco à ordem pública. O caso expõe a fragilidade dos vínculos trabalhistas informais e reacende o debate sobre a verificação de antecedentes e saúde mental em pequenos negócios.
Cronologia do ataque captada pelas câmeras
As gravações do circuito interno mostram o funcionário se aproximando da vítima com a faca já em punho. Não houve troca de palavras ou sinal de ameaça por parte do empresário, conforme a Polícia Civil. O ataque começou de forma súbita, com golpes concentrados na cabeça e no tórax.
“Foi uma cena de extrema violência, com múltiplos golpes e total desprezo pela vida”, declarou o delegado responsável pelo caso, em nota divulgada pela corporação. Após derrubar Flávio, o agressor continuou desferindo facadas e chutes, arremessou uma roda sobre o corpo e, por fim, arrastou a vítima pelo chão da oficina.
A perícia preliminar anexada ao inquérito aponta que a sequência de atos, executada com frieza, contradiz a hipótese de surto psicótico momentâneo. Para os investigadores, as imagens indicam premeditação — o suspeito teria se armado minutos antes, após uma breve saída do estabelecimento.
Versão do agressor e decisão judicial
Em depoimento, o mecânico alegou ter sido ameaçado pelo patrão. No entanto, a Polícia Civil informou que as câmeras não registraram qualquer discussão ou gesto que justificasse a reação desproporcional. A corporação classificou o crime como homicídio qualificado por motivo fútil e meio cruel.
A defesa pode explorar a alegação de transtorno mental para atenuar a responsabilidade criminal. Até o momento, porém, nenhum laudo psiquiátrico formal foi apresentado nos autos. “A prisão preventiva é instrumento necessário quando há risco de reiteração delitiva e clamor social”, afirmou o juiz plantonista, conforme consta nos autos.
O suspeito permanece detido enquanto o inquérito avança para apurar possíveis omissões na contratação. Dados do Atlas da Violência 2025, produzido pelo Ipea e divulgados pela Secretaria de Segurança Pública do DF, indicam que o Distrito Federal registrou a menor taxa de homicídios da série histórica. Ainda assim, crimes de extrema violência como esse desafiam a percepção de segurança da população.
❓ Perguntas frequentes
O que as câmeras de segurança mostraram do crime na oficina?
As imagens registraram o funcionário desferindo 47 facadas, chutes e arremessando uma roda contra o patrão já caído. Após o ataque, o corpo foi arrastado pelo estabelecimento. A Polícia Civil afirmou que a sequência indica premeditação, não um surto psicótico.
Qual a situação atual do suspeito de matar o patrão no DF?
O mecânico de 24 anos foi preso em flagrante e teve a prisão preventiva decretada pela Justiça do Distrito Federal. Ele permanece detido no Centro de Detenção Provisória enquanto o inquérito policial investiga o crime e possíveis omissões na contratação.
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