Um influencer com mais de 1 milhão de seguidores foi preso na madrugada de 8 de maio, no centro do Rio de Janeiro, suspeito de forjar um furto de celular para produzir conteúdo. Luan Lennon, de 23 anos, e outros dois homens encenaram o crime nas proximidades da Praça da República, mas a farsa foi descoberta pela Polícia Civil.
A investigação apontou que o grupo simulou o furto de um aparelho de dentro de um veículo, com a participação de um homem em situação de rua. O dono do carro, identificado como Alberto, informou que seu celular era um Xiaomi Redmi Note 13. No entanto, as imagens analisadas mostravam um iPhone XR branco sendo levado.
Essa divergência foi o ponto de partida para os agentes desmontarem a encenação. Lennon e seus comparsas foram autuados em flagrante na 4ª DP (Praça da República) por denunciação caluniosa, crime previsto no artigo 339 do Código Penal.
Depoimento revela armação com homem em situação de rua
Rodrigo, o homem em situação de rua que participou da encenação, afirmou em depoimento que foi instigado por um flanelinha não identificado. “Ele me ofereceu R$ 30 para pegar um celular de um carro aberto”, declarou, conforme apuração da CNN Brasil.
Rodrigo acrescentou que estava “sob efeito de crack no momento dos fatos”. A versão foi confirmada pela investigação, que concluiu que o furto havia sido armado para gerar engajamento nas redes sociais de Lennon.
Além do influencer, outros dois integrantes da equipe foram presos. O grupo permanece detido, e Lennon aguarda audiência de custódia no Presídio José Frederico Marques, em Benfica, na Zona Norte do Rio.
Histórico de conteúdo de Luan Lennon
Luan Lennon construiu uma base de mais de 1 milhão de seguidores em plataformas digitais com vídeos voltados à denúncia de flanelinhas no Centro do Rio de Janeiro, conforme apuração da CNN Brasil. O conteúdo mesclava tom de fiscalização cidadã com abordagens diretas a suspeitos de atuação irregular nas ruas.
À Polícia Civil, o influencer declarou que “estava no local gravando conteúdo para as redes sociais sobre a fiscalização de flanelinhas”. A declaração foi dada durante o flagrante, na madrugada de 8 de maio de 2026.
A trajetória de Lennon evidencia a linha tênue entre produção de conteúdo investigativo e encenação para engajamento. O caso ganhou repercussão nacional ao expor os limites éticos da busca por visualizações em temas de segurança pública.
Consequências legais e audiência de custódia
Luan Lennon e os dois integrantes de sua equipe foram autuados em flagrante com base no artigo 339 do Código Penal. O dispositivo prevê pena de dois a oito anos de reclusão para quem “dar causa a instauração de investigação policial” contra alguém sabendo-o inocente, segundo o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.
A audiência de custódia está marcada para 9 de maio, a partir das 13h, conforme informações da Justiça fluminense. Na ocasião, um juiz avaliará a legalidade da prisão e decidirá sobre a conversão em preventiva ou a concessão de liberdade provisória, com possíveis medidas cautelares.
“A conduta de simular um crime para gerar conteúdo não é apenas antiética, mas criminosa, e será tratada com o rigor da lei”, afirmou um delegado da 4ª DP, segundo dados oficiais Brasil. O caso também levanta questionamentos sobre a responsabilidade de influenciadores que expõem pessoas em situação de vulnerabilidade — como o homem em situação de rua envolvido na encenação — a constrangimentos e riscos legais em troca de engajamento.
🗞️ Fontes consultadas
- ✓ Influencer Luan Lennon é preso suspeito de forjar furto para postar em rede
- ✓ Influenciador Luan Lennon é preso sob suspeita de forjar furto para produzir vídeos no centro do Rio










