quarta-feira, julho 8
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Clovis Vaz
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Consultor político e empresário com mais de 35 anos de atuação em campanhas eleitorais e assessoria institucional. Foi secretário municipal...

ESTREIA | Clovis Vaz Filho: “Entre Ecos e Espelhos”

· 3 min de leitura · Atualizado em 08.05.2026

Os artigos publicados nesta coluna são de responsabilidade do autor e não representam, necessariamente, a opinião do PIRANOT.

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Embora pertençam a épocas completamente distintas, a mitologia grega e as redes sociais dialogam de forma surpreendente quando analisadas no contexto da política atual. Ambas permitem observar, por ângulos diferentes, comportamentos humanos ligados ao poder, à imagem e à forma como nos relacionamos com o outro. Nesse sentido, o mito de Eco e Narciso oferece um ponto de partida bastante ilustrativo.

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Eco, na mitologia, perde a capacidade de se expressar com autonomia e passa a repetir apenas o que escuta. Narciso, por sua vez, é tomado por sua própria imagem refletida, tornando-se incapaz de se afastar dela. Mais do que histórias antigas, esses personagens funcionam como representações simbólicas que ajudam a compreender fenômenos bastante presentes no ambiente digital.

Nas redes sociais, essas características ganham nova forma. A necessidade de reconhecimento, o desejo de aceitação e a construção da própria imagem encontram um terreno fértil para se expandir. Na política, isso se traduz em lideranças que frequentemente passam a medir sua relevância pela repercussão que obtêm online. Assim como Narciso, há o risco de se apegar a uma versão idealizada de si mesmo, construída a partir da aprovação constante, o que pode distorcer a percepção da realidade.

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Ao mesmo tempo, o comportamento de Eco também se revela com facilidade. A circulação de conteúdos políticos nas redes muitas vezes ocorre sem reflexão mais aprofundada. Frases prontas, posicionamentos e narrativas são replicados em sequência, nem sempre acompanhados de análise crítica. Esse padrão contribui para ambientes em que opiniões semelhantes se reforçam continuamente, reduzindo o espaço para o contraditório e para o debate qualificado.

Outro fator que intensifica esse cenário é a velocidade com que as informações se propagam. A dinâmica das redes sociais encurta distâncias e acelera processos, fazendo com que ideias ganhem visibilidade em poucos instantes. Se por um lado isso amplia o alcance do debate, por outro aumenta a exposição a conteúdos superficiais ou imprecisos, o que impacta diretamente a qualidade da discussão pública.

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A própria mitologia grega, aliás, já alertava sobre os riscos do excesso de orgulho e da falta de autoconhecimento. Em diversos relatos, personagens que ignoram esses limites acabam enfrentando consequências severas. Esse paralelo continua válido quando observamos a política contemporânea: a dificuldade de ouvir, de revisar posições e de dialogar com diferenças pode levar a decisões distantes da realidade e das demandas sociais.

Dessa forma, revisitar essas narrativas antigas não é apenas um exercício cultural, mas uma maneira de compreender melhor o presente. Os mitos continuam oferecendo referências úteis para interpretar comportamentos que, apesar das mudanças tecnológicas, permanecem essencialmente humanos. Ao trazer essas reflexões para o debate atual, abre-se espaço para uma atuação política mais consciente, com maior responsabilidade na comunicação e mais disposição para o diálogo — aspectos fundamentais para a vida democrática.

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Clovis Vaz Filho
Empresário de comunicação e consultor político

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Clovis Vaz
Sobre o colunista

Clovis Vaz

Consultor político e empresário com mais de 35 anos de atuação em campanhas eleitorais e assessoria institucional. Foi secretário municipal de Governo e de Saúde em Piracicaba, além de chefe de gabinete na Assembleia Legislativa de São Paulo. Escreve às quartas-feiras no PIRANOT sobre bastidores da política e gestão pública.

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