terça-feira, julho 7
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Entretenimento

Benedito Ruy Barbosa morre aos 95; autor levou o Brasil rural à TV

· 3 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • Hospital informou que a causa foi complicação de insuficiência renal crônica.
  • Velório e sepultamento ainda não tiveram detalhes divulgados pela família.
  • Dramaturgo levou o Brasil rural e o interior paulista ao centro da teledramaturgia.
  • Sua estreia na televisão ocorreu em 1966, antes da consolidação das novelas no país.
TV

Benedito Ruy Barbosa, um dos autores mais influentes da teledramaturgia brasileira, morreu aos 95 anos nesta terça-feira (7), em São Paulo. Criador de novelas como Pantanal, O Rei do Gado, Renascer, Terra Nostra e Esperança, ele transformou o Brasil rural em protagonista do horário nobre e marcou gerações com histórias centradas na terra, na família e nos conflitos do interior.

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O Hospital do Coração (Hcor) informou que o dramaturgo morreu pela manhã, em decorrência de complicações de insuficiência renal crônica. Benedito havia enfrentado problemas renais nos últimos anos e estava internado recentemente na unidade.

A morte encerra uma carreira que começou antes de a televisão se consolidar como o grande palco da ficção nacional. Nascido em 17 de abril de 1931, em Gália, no interior de São Paulo, Benedito levou para a TV um universo que conhecia de perto: fazendas, ciclos de plantio, disputas por terra, famílias extensas, cultura caipira e personagens moldados pela relação com o campo.

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O autor que tirou o campo do papel de cenário

Benedito estreou na televisão em 1966 e construiu, ao longo das décadas seguintes, uma assinatura rara na dramaturgia brasileira. Suas novelas não usavam o interior apenas como paisagem: a terra, a água, a lavoura, o gado e a herança familiar moviam a trama. Foi esse olhar que fez de Pantanal um marco ao estrear na TV Manchete, em 27 de março de 1990.

Ambientada longe dos eixos urbanos mais frequentes da ficção televisiva, Pantanal colocou a fauna, os rios, os mitos e os conflitos da região no centro da conversa nacional. A novela projetou um tipo de narrativa visual e emocional que ampliou o repertório da TV aberta e ajudou a consolidar Benedito como autor de grande alcance popular.

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Em O Rei do Gado, outra obra decisiva de sua carreira, Benedito voltou ao tema da terra por meio de disputas familiares, poder econômico e tensões sociais. A novela reforçou uma marca que atravessa sua obra: personagens ligados ao campo tratados com densidade dramática, e não como figuras folclóricas ou secundárias.

Renascer, Terra Nostra e Esperança ampliaram esse território narrativo. Entre histórias de imigração, lavouras, heranças e amores atravessados por disputas familiares, Benedito ajudou a definir uma vertente da novela brasileira que olhava para o país fora das capitais e encontrava ali matéria de grande audiência.

Legado atravessa gerações de telespectadores

O impacto de Benedito Ruy Barbosa vai além da lista de sucessos. Seus folhetins entraram na memória afetiva de diferentes gerações e ajudaram a popularizar uma representação do Brasil rural marcada por paisagens amplas, linguagem própria e conflitos sociais reconhecíveis pelo público.

Ao fazer do interior o centro da cena, o autor também influenciou a forma como a televisão brasileira passou a tratar personagens ligados à terra. Fazendeiros, peões, imigrantes, trabalhadores rurais e famílias tradicionais ganharam em suas tramas ambição, contradição e protagonismo.

A família ainda não informou os detalhes de velório e sepultamento. A confirmação da morte pelo Hcor fixa o ponto central desta terça-feira: morre o autor que deu dimensão épica ao campo na TV brasileira e deixou algumas das novelas mais lembradas do país.


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