Bill Gates negou ter mantido uma relação pessoal com Jeffrey Epstein ao prestar depoimento reservado ao Comitê de Supervisão da Câmara dos Estados Unidos, em 10 de junho. Segundo informações divulgadas nesta quinta-feira (11), o bilionário afirmou que seus contatos com o financista ocorreram no contexto de promessas ligadas à filantropia e foram encerrados depois que essas promessas não avançaram.
As declarações foram dadas em uma investigação parlamentar que revisita relações, documentos e registros associados a Epstein, condenado por crimes sexuais em 2008 e morto em 2019 enquanto aguardava julgamento em outro caso federal. Gates, um dos nomes mais conhecidos da tecnologia e da filantropia mundial, já havia reconhecido publicamente encontros com Epstein e dito que se arrependia de ter mantido contato com ele.
Nos relatos publicados sobre a sessão, Gates também é descrito como tendo negado ter vitimado qualquer pessoa. A frase, por envolver uma investigação sensível e um personagem ligado a crimes sexuais, exige leitura estrita: não há indicação de denúncia, acusação formal ou condenação contra Gates no caso Epstein.
O que Gates diz sobre os contatos com Epstein
A versão atribuída a Gates busca separar três pontos que frequentemente se misturam no debate público: a existência de encontros, a tentativa de obter apoio ou intermediação para projetos filantrópicos e qualquer inferência criminal. O primeiro ponto já era conhecido; o segundo aparece como explicação para a aproximação; o terceiro não é sustentado por acusação formal contra o fundador da Microsoft.
Epstein circulou por anos entre empresários, acadêmicos, políticos e figuras do mercado financeiro, o que tornou seus registros de contatos alvo de disputa pública após sua prisão e morte. A presença de nomes em agendas, fotos ou documentos relacionados a ele, porém, não significa por si só participação em crimes nem endosso às condutas pelas quais o financista foi condenado.
No caso de Gates, o ponto político da audiência está em esclarecer por que os contatos ocorreram, quando terminaram e se tiveram algum desdobramento relevante para a investigação conduzida pela Câmara. A sessão reservada indica que os parlamentares trataram o tema como parte de uma revisão mais ampla sobre Epstein e sua rede de relações.
Íntegra do depoimento ainda não é pública
A Câmara dos EUA não publicou uma transcrição pública completa da audiência. Sem esse registro oficial, o conteúdo conhecido se limita às declarações atribuídas a Gates por relatos jornalísticos e ao fato de que ele foi ouvido pelo comitê em sessão reservada.
A ausência da íntegra impede verificar a sequência das perguntas, o contexto exato das respostas e se os parlamentares solicitaram documentos adicionais. Também não há registro público de uma manifestação recente da Gates Foundation sobre a audiência.
Na prática, o caso permanece em dois trilhos: Gates nega uma relação pessoal com Epstein e afirma que os contatos se deram por expectativas filantrópicas; o Congresso, por sua vez, ainda controla a divulgação do depoimento completo, que pode definir com mais precisão o alcance das perguntas feitas ao bilionário.











