Cerca de um em cada três brasileiros deixou de pagar ao menos uma conta em maio, segundo pesquisa PoderData divulgada nesta terça-feira (9). O levantamento mostra que 37% dos entrevistados relataram inadimplência no período, enquanto 61% afirmaram ter quitado todas as obrigações financeiras. Outros 2% não souberam responder.
O dado captura a sensação de aperto no orçamento das famílias — uma inadimplência declarada, diferente dos atrasos medidos por cadastros oficiais do Banco Central ou de birôs de crédito como Serasa e SPC. Apesar da diferença metodológica, o número acende um alerta sobre a pressão financeira que atinge mais de um terço dos lares brasileiros em um cenário de juros elevados e inflação acumulada em 4,2% nos últimos 12 meses.
A pesquisa não detalha o perfil regional dos devedores nem a série histórica completa, mas o PoderData indica que o indicador já foi mais alto em 2022 e vem melhorando gradualmente até 2026. A falta da metodologia completa, com amostra, margem de erro e período de coleta, impede comparações precisas com meses anteriores ou com dados oficiais.
Cartão de crédito lidera lista de contas não pagas, diz levantamento
O resultado se soma a um quadro de endividamento persistente. Nesta terça-feira, uma reportagem do PIRANOT mostrou que programas federais de transferência de renda não aliviam dívidas para 63% dos inadimplentes, reforçando a dificuldade de reorganizar o orçamento doméstico mesmo com auxílio do governo.
A inadimplência declarada afeta diretamente o consumo, a oferta de crédito e a confiança na economia. Com a taxa Selic em 14,25% ao ano — a maior desde 2016 —, o custo do crédito segue elevado, e as famílias têm menos margem para negociar dívidas ou escapar do atraso. O crédito rotativo do cartão, por exemplo, continua sendo uma das linhas mais caras do mercado, com juros superiores a 400% ao ano, segundo o Banco Central.
Embora o levantamento do PoderData não permita atribuir o resultado a fatores específicos como inflação, desemprego ou cortes em programas sociais, o índice de 37% oferece uma fotografia declaratória do mês de maio — e mostra que a sensação de aperto financeiro segue disseminada entre os brasileiros. A próxima divulgação de dados oficiais de endividamento pelo Banco Central, prevista para julho, deve confirmar se a tendência de melhora gradual observada pela pesquisa se mantém.












