Um levantamento do Instituto E Se Fosse Você aponta 71 mulheres com mandatos cassados ou sob processo de cassação entre 2015 e 2025, em 19 unidades da Federação, divulgado na quarta-feira (3), na Alesp.
O dado coloca no centro da discussão a fronteira entre cassações regulares, que podem decorrer de processos legais, e a suspeita de violência política de gênero. O material atribui 40% dos casos a filiadas de PT e PSOL e informa que 20% envolvem parlamentares estaduais, distritais ou federais.
A íntegra do relatório “Mulheres Ameaçadas no Brasil: dos feminicídios às cassações de mandatos (2015-2025)” ainda depende de publicação oficial em canal público. Registros da divulgação foram feitos por cobertura de Brasília e por veículo regional, mas a fonte institucional do dado é o Instituto E Se Fosse Você.
Os números do levantamento em 19 unidades da Federação
O recorte informado pelo instituto cobre o período de 2015 a 2025 e inclui mulheres que perderam mandatos ou ainda respondem a processos de cassação. O ano de 2023 aparece como o de maior volume citado no material, com 11 registros.
O relatório também aponta 2019 como marco de aumento dos casos, sem apresentar, nos dados divulgados, uma relação causal direta com o início do governo Jair Bolsonaro. A referência funciona como marcador temporal e exige leitura cautelosa, porque cada cassação pode ter fundamento jurídico próprio.
O material inclui 2016 na linha histórica por causa da deposição de Dilma Rousseff, primeira mulher eleita presidente do Brasil. A caracterização política daquele processo é objeto de disputa pública; por isso, o dado relevante aqui é o uso do episódio como ponto de partida simbólico pelo instituto.
A pauta se conecta a uma agenda mais ampla de proteção política e institucional de mulheres. O PIRANOT mostrou recentemente que uma lei garante execução imediata de medidas protetivas cíveis para mulheres, outro ponto do debate nacional sobre resposta do Estado à violência de gênero.
Partidos e órgãos ainda não apresentam contraponto formal
Até esta sexta-feira (5), não havia no material divulgado posicionamento formal do Tribunal Superior Eleitoral sobre a metodologia, a lista nominal das 71 mulheres ou eventual comparação com cassações de homens no mesmo período.
Também não foram apresentados, no material tornado público, contrapontos de PT, PSOL, de Jair Bolsonaro ou de representantes dos legislativos citados. Sem a lista completa dos casos, não é possível separar no texto cada fundamento de cassação, recurso ou situação processual individual.
Esse limite é central para o debate. O número sugere assimetria partidária e temporal, mas não substitui a análise caso a caso. Cassações podem decorrer de decisões eleitorais, processos legislativos ou disputas internas, e o enquadramento como violência política de gênero depende de elementos específicos.
Publicação integral deve definir alcance do debate
O próximo passo confirmado é a disponibilização pública do relatório completo, com metodologia, critérios de inclusão e lista verificável dos casos. Esses pontos são necessários para que partidos, órgãos eleitorais e parlamentares citadas possam responder de forma precisa.
Sem esses documentos, a consequência imediata é política: o levantamento pressiona instituições a explicar como monitoram cassações de mulheres e se há padrão de gênero nos processos. A apuração oficial da metodologia definirá se o dado vira agenda legislativa, debate eleitoral ou contestação pública.











