SÃO PAULO – O prazo para entrega da declaração do Imposto de Renda 2026 termina nesta sexta-feira (29), às 23h59, com cerca de 6 milhões de contribuintes ainda em falta com o Fisco — o equivalente a 11% dos 44 milhões de documentos esperados pela Receita Federal. O órgão projeta receber pelo menos 1 milhão de envios nas últimas 24 horas, volume que costuma sobrecarregar os sistemas e elevar o risco de erros. A multa para quem perder o prazo parte de R$ 165,74 e pode chegar a 20% do imposto devido.
Como mostrou o PIRANOT no início da semana, a Receita descartou qualquer prorrogação. “Não haverá flexibilização. A estrutura de atendimento estará disponível até as 23h59 de sexta, e os contribuintes devem se programar para evitar a pressa de última hora”, afirmou o órgão, em comunicado. A transmissão após a meia-noite é tratada como entrega em atraso, independentemente do motivo.
Pré-preenchida acelera, mas exige conferência
A principal saída para quem deixou a obrigação para o último dia é a declaração pré-preenchida, disponível no programa gerador (PGD), no aplicativo Meu Imposto de Renda e no portal e-CAC. A ferramenta importa automaticamente dados de fontes pagadoras, instituições financeiras, planos de saúde e declarações anteriores. O acesso exige conta Gov.br nos níveis ouro ou prata. Segundo a Receita, cerca de 30% das declarações já enviadas usaram a modalidade, que reduz o tempo de preenchimento em até 40%.
O Fisco lembra, porém, que a responsabilidade pela veracidade das informações continua sendo do contribuinte. “A declaração pré-preenchida é um auxílio, não um documento pronto. Todos os campos precisam ser conferidos, especialmente rendimentos de dependentes, despesas dedutíveis e bens”, informou a Receita. A confiança excessiva na importação automática está entre as causas mais frequentes de retenção na malha fina, porque o sistema não capta alterações como a saída de um dependente que completou 18 anos ou a venda de um imóvel no ano anterior.
Os erros mais comuns na pré-preenchida incluem:
- Omissão de rendimentos de mais de uma fonte pagadora — a plataforma traz apenas o principal vínculo;
- Despesas médicas sem comprovante ou com CNPJ inválido, sujeitas a glosa e multa;
- Dependentes desatualizados — a ferramenta não exclui automaticamente quem deixou de se enquadrar em 2025;
- Saldo do carnê-leão não conferido, comum entre profissionais autônomos;
- Dados bancários desatualizados, que podem atrasar a restituição em até dois lotes.
Antes de transmitir, a orientação é usar a opção de simulação no próprio programa: o sistema aponta pendências e permite corrigi-las em tempo real. “A simulação é a única chance de verificar se todas as deduções estão corretas e se não há divergências com a base da Receita”, informou o órgão.
Quanto custa atrasar
A multa mínima de R$ 165,74 vale até para quem não tem imposto a pagar. Para quem deve, incide 1% ao mês sobre o imposto devido, limitada a 20% do total. A regularização espontânea, feita antes de qualquer ação fiscal, reduz a penalidade pela metade. Depois da notificação, os juros passam a correr pela Selic acumulada.
O custo, porém, não é só financeiro. A não entrega leva à suspensão do CPF, o que trava movimentações bancárias, emissão de passaporte, posse em cargo público e participação em licitações. Também fica bloqueada a certidão de regularidade fiscal, exigida em financiamentos imobiliários, contratos com o poder público, processos de inventário e até em algumas matrículas escolares.
Calendário das restituições
O primeiro lote será pago em 30 de junho e contemplará 9 milhões de contribuintes, num total de R$ 16 bilhões. A ordem legal de prioridade é:
- Idosos com 60 anos ou mais;
- Pessoas com deficiência ou moléstia grave;
- Professores cuja maior fonte de renda seja o magistério;
- Contribuintes que usaram a pré-preenchida e indicaram Pix como forma de pagamento.
Os demais lotes seguem até setembro, com valores corrigidos pela Selic. A Receita recomenda cadastrar chave Pix vinculada ao CPF para agilizar o crédito. Quem não está na lista legal, mas combinou pré-preenchida e Pix, ocupa a quarta posição na fila — um caminho que tem beneficiado, sobretudo, a classe média. Para 2026, a expectativa é distribuir R$ 55 bilhões em restituições, ante R$ 52 bilhões no ano anterior, reflexo do aumento das retenções na fonte e do maior número de declarantes.
O passo a passo para fechar hoje
Desde sua liberação, em 2021, a adesão à pré-preenchida saltou de 7% para os atuais 30% das entregas. A ferramenta é alimentada por dados da DIRF, DIMOB, DMED e cartórios, e, neste ano, passou a incluir informações sobre criptoativos e operações com corretoras estrangeiras. Para quem ainda não começou, o caminho mais seguro é:
- Acessar o e-CAC com conta Gov.br ouro ou prata;
- Iniciar a declaração pré-preenchida;
- Conferir rendimentos tributáveis, despesas dedutíveis e bens com documentos originais;
- Revisar a lista de dependentes e alimentandos, sobretudo os que atingiram a maioridade ou não residem mais com o titular;
- Simular a declaração completa para detectar pendências;
- Transmitir até as 23h59 e guardar o recibo de entrega, comprovante exigido em qualquer contestação futura.
Os sistemas costumam ficar lentos nas horas finais, e a Receita recomenda não esperar o último minuto. Além da multa, a malha fina pode reter a declaração por inconsistências, exigindo retificações que adiam a restituição — e, com a Selic em patamar elevado, cada mês de espera representa perda real para o contribuinte.
Colaborou Mariana Barbosa











