sábado, julho 4
MERCADO
IBOVESPA 174.070 pts▲ 1,39%DOW JONES 52.900 pts▲ 1,11%NASDAQ 25.833 pts▼ 1,45%S&P 500 7.483 pts▼ 0,21%DÓLAR R$ 5,18▼ 1,09%EURO R$ 5,94▼ 0,53%BITCOIN R$ 327.194▲ 0,94%ETHEREUM R$ 9.243▲ 1,51%SELIC 14,25%CDI 14,15%IPCA 12M 4,72%
Publicidade
Ministério Público diz que recuperação judicial fracassou; passivo da refinaria de Manguinhos supera R$ 25 bilhões

MPRJ pede falência da Refit após dívida saltar 19 vezes em 12 anos

Ministério Público diz que recuperação judicial fracassou; passivo da refinaria de Manguinhos supera R$ 25 bilhões

· 3 min de leitura · Atualizado em 04.06.2026 · NEXUS A.I. do PIRANOT e Júnior Cardoso

Pontos-chave

  • Somados União e demais entes federativos, o passivo consolidado da refinaria supera R$ 25 bilhões, segundo o Ministério Público.
  • Doze anos depois, segundo o MPRJ, o passivo fiscal consolidado superou R$ 25 bilhões.
  • A dívida apenas com o estado do Rio passou de cerca de R$ 2,5 bilhões, em 2014, para R$ 13 bilhões em 2026.
  • O caso ocorre em meio a um recorde de pedidos de recuperação judicial no país: foram 2.466 processos em 2025, segundo o Serasa Experian.
  • O controlador da Refit, Ricardo Magro, teve a prisão preventiva pedida pela PF em 15 de maio e é considerado foragido.

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) pediu à Justiça fluminense a conversão da recuperação judicial da Refit em falência, sob o argumento de que a empresa — antiga Refinaria de Manguinhos e segunda maior devedora de impostos estaduais — não cumpriu o objetivo de reestruturação após quase uma década no regime. Em manifestação apresentada na terça-feira (26), o órgão afirma que o passivo tributário da companhia se multiplicou por 19 desde 2014, quando teve início o processo.

Publicidade

“Após quase dez anos de recuperação judicial, a empresa não alcançou o objetivo de reestruturação econômico-financeira previsto na legislação”, sustenta o MPRJ no documento. Para o promotor responsável pelo caso, a Refit se enquadra como devedora contumaz, “sem intenção de pagar suas obrigações com os cofres públicos”. A dívida apenas com o estado do Rio passou de cerca de R$ 2,5 bilhões, em 2014, para R$ 13 bilhões em 2026.

Somados União e demais entes federativos, o passivo consolidado da refinaria supera R$ 25 bilhões, segundo o Ministério Público. A Refit ocupa a segunda posição no ranking de maiores devedoras de tributos estaduais no Rio.

Publicidade

Refinaria interditada e controlador foragido

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) interditou a refinaria em setembro de 2025, no desdobramento das operações Cadeia de Carbono e Carbono Oculto, conduzidas pela Polícia Federal. As investigações apontam irregularidades nas operações e na gestão da empresa.

O controlador da Refit, Ricardo Magro, teve a prisão preventiva pedida pela PF em 15 de maio e é considerado foragido. A interdição e o pedido de prisão sinalizam que as atividades da refinaria já estavam paralisadas antes da manifestação do MPRJ pela falência. No mesmo dia em que o Ministério Público entrou com o pedido, o governador interino do Rio de Janeiro assinou decreto de desapropriação do terreno onde funciona a refinaria.

Publicidade

Recuperação judicial que virou acúmulo de dívida

A Refit entrou em recuperação judicial em 2014 com passivo de cerca de R$ 2,5 bilhões, sob a Lei 11.101/2005, que prevê o regime como alternativa à falência para empresas em crise. Doze anos depois, segundo o MPRJ, o passivo fiscal consolidado superou R$ 25 bilhões.

O Ministério Público sustenta que o instrumento, em vez de viabilizar a reestruturação da empresa, funcionou como mecanismo de postergação do pagamento de tributos. O caso ocorre em meio a um recorde de pedidos de recuperação judicial no país: foram 2.466 processos em 2025, segundo o Serasa Experian.

Próximos passos

Cabe agora à Justiça fluminense decidir sobre o pedido. Se a falência for decretada, os bens da Refit serão arrecadados para pagamento de credores e a empresa entrará em processo de liquidação. A defesa da Refit não se manifestou publicamente sobre o pedido do MPRJ.

Publicidade