A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do 8 de Janeiro aprovou nesta quarta-feira (20) o relatório final que pede o indiciamento de 61 pessoas, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro por quatro crimes, entre eles tentativa de golpe de Estado, conforme documento oficial da Câmara dos Deputados.
O relatório foi aprovado em 18 de outubro de 2023 por 20 votos favoráveis do bloco governista contra 11 da oposição, que apresentou voto em separado no dia anterior, segundo registros do Senado Federal. Entre os indiciados, além de Bolsonaro, estão Mauro Cid, Anderson Torres, Walter Braga Neto e Augusto Heleno.
Apesar do consenso na CPMI, há contradições no cenário investigativo. A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) produziu um relatório atribuindo co-responsabilidade pelo ataque ao Ministério da Justiça e ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI) do governo Lula, liderado por Gonçalves Dias, postura que diverge do posicionamento da CPMI, conforme reportagem da revista Veja. A autenticidade total desse relatório da Abin, porém, não está integralmente acessível ao público.
O voto do relator e as divergências institucionais
O relatório final da CPMI, aprovado por maioria, detalha as acusações contra o campo bolsonarista, responsabilizando diretamente integrantes ligados ao ex-presidente pela organização e execução dos atos violentos de 8 de janeiro de 2023. O documento pede o indiciamento criminal de 61 pessoas, incluindo Bolsonaro por crimes como organização criminosa, atentado contra a democracia, incitação à violência e tentativa de golpe de Estado.
Por outro lado, o relatório da Abin, ao qual a revista Veja teve acesso, aponta também para a responsabilidade do Ministério da Justiça e do GSI no episódio, sugerindo falhas na atuação desses órgãos durante os ataques. Essa visão contrasta com a conclusão da CPMI, que concentra a responsabilização no grupo bolsonarista. A autenticidade e o conteúdo integral do relatório da Abin não foram confirmados oficialmente, o que mantém a controvérsia em aberto.
Posicionamento das partes envolvidas e status legal
A CPMI tem caráter político-parlamentar e seu relatório não equivale a uma condenação judicial. O Supremo Tribunal Federal (STF) é o órgão responsável por conduzir os processos criminais formais relacionados aos fatos de 8 de janeiro, conforme esclarece documento do próprio STF sobre o tema. Até o momento, o status atual desses processos em 2026 não foi completamente apurado, podendo haver decisões judiciais já proferidas.
O ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados negam as acusações e contestam o relatório da CPMI, alegando que o documento tem motivação política. Já representantes do governo Lula não comentaram formalmente o relatório da CPMI, mas a divulgação do relatório da Abin indica que há avaliações internas diferentes sobre as responsabilidades no episódio.
Próximos passos no processo político e judicial
O relatório da CPMI serve como base para encaminhamentos políticos e possíveis ações judiciais, mas depende da publicação oficial e do andamento dos processos no STF para que tenha efeitos concretos. Ainda não há prazos definidos publicamente para novas etapas ou para a conclusão dos processos criminais relacionados ao 8 de janeiro.
Além disso, a divergência entre os relatórios da CPMI e da Abin pode influenciar futuras investigações e debates políticos, mantendo o tema em evidência no cenário nacional. A expectativa é que o STF continue a conduzir os processos com base nas evidências reunidas, respeitando o devido processo legal.











