Os Correios foram autorizados, em decreto publicado em 15 de maio de 2026, a armazenar itens apreendidos pela Receita Federal. A medida busca gerar receita para a estatal, que registrou prejuízo de R$ 8,5 bilhões em 2025 — equivalente a 2,3 vezes o orçamento de Piracicaba para 2026.
O resultado negativo de 2025 é o pior da história da companhia e representa um aumento de 226,9% em relação ao déficit de R$ 2,6 bilhões de 2024. A estatal acumula 14 trimestres consecutivos de perdas, conforme balanço divulgado pela própria empresa.
A autorização integra um pacote de medidas para diversificar as fontes de receita, que também inclui a permissão para os Correios atuarem como operadora de celular. A empresa já havia buscado outras frentes, como a intermediação da cobrança de tributos de importação junto à Receita Federal.
Prejuízo de R$ 8,5 bilhões acelera diversificação dos Correios
O desempenho financeiro pressiona a direção a buscar alternativas fora do negócio principal de entregas. Além da guarda de bens, o governo autorizou os Correios a operar como operadora de celular, explorando a rede de fibra óptica e suas lojas físicas. “Correios fecharam 2025 com um prejuízo financeiro de R$ 8,5 bilhões”, informou a estatal em seu balanço anual. A empresa possui cerca de 12 mil agências e uma frota de veículos que poderia ser utilizada no transporte e na custódia dos materiais.
Cronograma e custos da armazenagem permanecem indefinidos
Ainda não foram divulgados os prazos para o início da operação, os investimentos necessários em segurança e infraestrutura, nem a contrapartida financeira ou operacional para a Receita Federal. O órgão, por sua vez, realiza leilões periódicos de itens apreendidos e abandonados. “A Receita Federal realizará no dia 30 de maio um leilão com itens apreendidos e abandonados no aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP)”, informou o órgão em nota. A proximidade geográfica — cerca de 70 km de Piracicaba — pode gerar reflexos logísticos e de custos para empresas e contribuintes da região, caso os Correios venham a centralizar a guarda em Campinas. A parceria com a estatal poderia desafogar os armazéns da Receita e reduzir custos de estocagem. Mas ainda não há garantias de que a operação não sobrecarregue a estrutura dos Correios, impactando os serviços postais tradicionais.
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