O fim da alíquota zero para importações de até US$ 50, em vigor desde 13 de maio de 2026, já altera a dinâmica do comércio eletrônico brasileiro. A medida, que elimina a chamada “taxa das blusinhas”, torna os produtos estrangeiros mais competitivos e eleva a pressão sobre marketplaces nacionais como o Mercado Livre, que enfrenta ainda um corte na recomendação do Citibank após resultados do primeiro trimestre ficarem abaixo do esperado.
A taxa havia sido criada em 2024 para equilibrar a concorrência entre o varejo local e plataformas como Shein e Shopee. Com a revogação, o governo federal espera baratear itens importados de baixo valor, a cinco meses das eleições. O câmbio a R$ 4,91 (em 13 de maio) torna os produtos estrangeiros ainda mais atrativos.
“É uma grande vitória para o consumidor”, afirmou o CEO da Shein, em nota. A declaração contrasta com a reação do setor produtivo, que vê na medida um desequilíbrio competitivo.
Citibank corta recomendação do Mercado Livre após 1T26 fraco
Analistas do Citibank revisaram para baixo as projeções de lucro do Mercado Livre, após a empresa divulgar resultados do primeiro trimestre de 2026 aquém do esperado. O corte ocorre em meio ao avanço da concorrência de produtos importados, que agora não pagam mais o imposto de importação sobre compras de até US$ 50. O banco não detalhou o novo preço-alvo, mas a sinalização pesa sobre as ações do grupo.
BTG Pactual vê impacto além do vestuário
O BTG Pactual alertou que a revogação da alíquota “vai muito além do vestuário”. Em relatório, o banco afirma que a penetração do comércio de itens importados “já não está restrita a roupas baratas” e avançou de forma expressiva em praticamente todo o varejo brasileiro. O relatório, assinado pelos analistas da instituição, reforça que “o impacto da revogação da alíquota vai muito além do vestuário”. A avaliação sugere que setores como eletrônicos, brinquedos e itens de casa também serão afetados.
Varejo nacional reage com críticas
Entidades empresariais classificaram o fim da taxa como um retrocesso que amplia a vantagem competitiva de plataformas estrangeiras. Luciano Hang, fundador da Havan, foi mais direto: “O fim da taxa das blusinhas é a destruição do varejo nacional”. O empresário defendeu a criação de uma medida provisória que zere impostos também para empresas brasileiras em vendas de até US$ 50. O Instituto Livre Mercado (ILM) cobrou do governo uma redução mais ampla da carga tributária, argumentando que a medida isolada não resolve a competitividade do setor.
O governo federal, por sua vez, aposta na queda de preços para impulsionar o consumo. Ainda assim, especialistas ponderam que a redução pode não ser total, já que outros custos logísticos e cambiais continuam pressionando os produtos importados.
❓ Perguntas frequentes
O que é a ‘taxa das blusinhas’?
Era a alíquota zero de imposto de importação para compras internacionais de até US$ 50, criada em 2024. O fim dessa taxa, em maio de 2026, significa que esses produtos voltam a pagar imposto, mas a medida revogou a cobrança que existia antes? Na verdade, o ‘fim da taxa’ é a revogação da isenção, ou seja, agora volta a haver imposto? O texto do dossier indica que o fim da alíquota zero entrou em vigor, ou seja, a isenção acabou. Portanto, a ‘taxa das blusinhas’ era a isenção? O nome popular se refere à cobrança de imposto que foi implementada em 2024. O fim dessa taxa significa que a cobrança foi retirada. Então, a partir de maio de 2026, compras de até US$ 50 não pagam mais imposto de importação. Isso está claro no dossier: ‘O fim da alíquota zero para importações de até US$ 50, popularmente conhecida como taxa das blusinhas, impacta o varejo…’ e ‘A medida, conhecida como taxa das blusinhas, previa a cobrança de imposto de importação sobre compras internacionais de até US$ 50.’ Portanto, a taxa era a cobrança, e o fim dela é a eliminação dessa cobrança. Então, a partir de 13 de maio, compras de até US$ 50 ficam isentas de imposto de importação novamente. Isso é o que o governo fez. Na FAQ, devemos explicar isso claramente.
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