A CBF oficializou nesta quinta-feira (14) a renovação do contrato do técnico Carlo Ancelotti até a Copa do Mundo de 2030, com salário anual estimado em 10 milhões de euros — cerca de R$ 63,21 milhões na cotação atual. O anúncio ocorre a menos de um mês da convocação final para o Mundial, em meio a questionamentos sobre a sustentabilidade financeira do maior investimento da história da entidade em um treinador.
O presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues, conduziu pessoalmente as negociações. Em nota oficial, a entidade classificou o acordo como “dia histórico” e destacou a confiança no trabalho do italiano, que assumiu o comando em maio de 2025. “Trabalhando para levar a seleção de volta ao topo do mundo”, declarou Ancelotti.
O contrato inclui uma cláusula de rescisão de 10 milhões de euros, valor idêntico ao salário anual. A extensão até 2030 faz de Ancelotti o sétimo técnico a comandar o Brasil em duas Copas e, aos 71 anos, o mais velho da história da Seleção em Mundiais.
Custo anual de R$ 63 milhões levanta dúvidas sobre sustentabilidade
O salário de Ancelotti equivale a cerca de 12% da receita total da CBF em 2025, que foi de R$ 520 milhões. O valor supera o orçamento anual de dezenas de clubes da Série A e levanta questionamentos sobre o gasto da entidade em um cenário de queda de arrecadação com patrocínios e direitos de transmissão.
“A CBF aposta em um nome de peso para atrair parceiros e gerar receita, mas o risco é alto se o desempenho não acompanhar”, avaliou o economista esportivo César Grafietti, da consultoria BDO. A entidade não divulgou fontes de receita específicas para cobrir o custo.
Desempenho de 56,7% de aproveitamento em 10 jogos
Nos 10 jogos sob o comando de Ancelotti, o Brasil venceu cinco, empatou dois e perdeu três — aproveitamento de 56,7%. O saldo de gols é de 18 marcados e oito sofridos. Os resultados incluem derrotas para Argentina e Uruguai, que geraram críticas da torcida.
“A renovação é um voto de confiança às vésperas da Copa, mas os números ainda não justificam o investimento bilionário”, afirmou o comentarista esportivo Paulo Vinícius Coelho. A CBF, no entanto, avalia que o ciclo de trabalho precisa de tempo para consolidar o estilo de jogo.
Ancelotti será o técnico mais velho do Brasil em Copas
Com 71 anos em 2030, Ancelotti superará a marca de Telê Santana, que comandou a Seleção em 1982 e 1986 aos 55 anos. O italiano também se junta a Zagallo, Parreira, Felipão, Tite e outros que dirigiram o Brasil em duas Copas.
A longevidade do contrato — o maior já oferecido a um treinador estrangeiro na história da CBF — levanta dúvidas sobre o plano de sucessão. Além disso, questiona a capacidade de adaptação a mudanças no futebol mundial. A entidade não detalhou cláusulas de desempenho que possam reduzir o impacto financeiro em caso de resultados abaixo do esperado.
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