O Ministério da Defesa da Rússia finalizou os testes do RS-28 Sarmat, míssil balístico intercontinental que entrará em operação nos próximos meses com capacidade de destruir uma área do tamanho da França. A informação foi confirmada por agências estatais russas, que classificaram o armamento como a peça central da modernização das forças nucleares do país.
Apelidado de ‘Satanás’ pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) — em referência ao antecessor SS-18 —, o Sarmat tem alcance superior a 18 mil quilômetros e pode transportar até 15 ogivas nucleares múltiplas e independentes. Cada uma delas é capaz de atingir alvos diferentes, o que amplia exponencialmente seu poder de destruição.
Segundo os dados oficiais russos, o míssil é equipado com sistemas de contramedidas que dificultam a interceptação por escudos antimísseis. Ele pode realizar trajetórias imprevisíveis e, de forma inédita, sobrevoar o Polo Sul para atingir alvos no hemisfério ocidental — uma rota que contorna as defesas baseadas no Ártico e no Pacífico.
Tecnologia de evasão e rota pelo Polo Sul
“Ele é invencível”, declarou o presidente Vladimir Putin durante o anúncio do projeto, em 2018. A frase foi repetida por porta-vozes militares após cada teste bem-sucedido, reforçando a retórica de dissuasão estratégica do Kremlin.
Substituição do arsenal soviético
O RS-28 Sarmat substituirá gradualmente os mísseis R-36M Voyevoda, de fabricação soviética, que compõem a espinha dorsal da força nuclear russa há décadas. A expectativa do governo russo é que os primeiros regimentos estejam operacionais até o final de 2026, conforme cronograma divulgado pelo Ministério da Defesa.
Especialistas em segurança internacional apontam que o novo míssil mantém a paridade estratégica com os Estados Unidos, mas eleva o risco de uma nova corrida armamentista. O alcance estendido e a capacidade de saturar defesas antimísseis tornam o Sarmat uma arma de primeiro ataque, com potencial para desestabilizar o equilíbrio nuclear global.











