O ativista brasileiro Thiago Ávila desembarcou em São Paulo na manhã desta segunda-feira (11) e afirmou ter sido submetido a tortura e maus-tratos durante os dez dias em que esteve detido em Israel. Ávila foi interceptado no fim de abril em águas internacionais, quando participava de uma missão humanitária que tentava furar o bloqueio israelense à Faixa de Gaza.
A embarcação integrava a Flotilha Global Sumud, movimento internacional que partiu da Espanha em 12 de abril com destino ao enclave palestino. Segundo o governo brasileiro, a interceptação ocorreu em alto-mar e a detenção foi classificada como ilegal pelo Itamaraty e pelo governo espanhol. Ávila viajava ao lado do ativista espanhol Abu Keshek, também deportado.
Denúncias de tortura e maus-tratos
Em contato com diplomatas brasileiros durante o período de custódia, o ativista apresentava marcas visíveis de agressão no rosto e se queixava de dores, conforme relatório da embaixada brasileira em Israel. Após ser liberado, Ávila detalhou as violações. “Sofri extrema brutalidade e todo tipo de violações durante o tempo em que estive preso”, afirmou. O brasileiro também denunciou ter presenciado tortura de palestinos em um centro de interrogatório. “Tinham pessoas palestinas sendo torturadas ao meu lado todos os dias”.
O governo de Israel negou as acusações e afirmou ter agido dentro da legalidade ao interceptar a flotilha. As forças israelenses justificaram a ação como necessária para impedir a violação do bloqueio marítimo a Gaza, imposto desde 2007.
Prisão ilegal e reação diplomática
O Ministério das Relações Exteriores brasileiro classificou a detenção de Ávila como “ilegal” e exigiu sua libertação imediata ainda em abril. A Espanha também protestou formalmente. Os dois países consideram que os ativistas foram sequestrados em águas internacionais, fora da jurisdição israelense.
Ávila relatou que, durante a operação, soldados israelenses algemaram todos os ocupantes e os mantiveram vendados por horas. A embarcação foi rebocada para o porto de Ashdod. O caso reacende o debate sobre a legalidade do bloqueio a Gaza e as denúncias de violações sistemáticas contra prisioneiros palestinos.
O ativista desembarcou no Aeroporto Internacional de Guarulhos por volta das 6h e foi recebido por familiares e apoiadores. “É um alívio estar de volta, mas a luta continua”, disse. A flotilha tinha o objetivo de levar medicamentos e alimentos a Gaza, território que enfrenta grave crise humanitária.
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