quinta-feira, 23 de julho de 2026
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Estudo da FGV aponta criação de 225 mil empregos e retorno de R$ 62 por real investido, mas expansão preocupa especialistas.

Biocombustíveis podem adicionar R$ 403,2 bilhões ao PIB até 2035, projeta FGV

Estudo da FGV aponta criação de 225 mil empregos e retorno de R$ 62 por real investido, mas expansão preocupa especialistas.

· 4 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • Estudo da FGV projeta R$ 403,2 bilhões adicionais no PIB até 2035.
  • Retorno estimado é de R$ 62 para cada R$ 1 investido no setor.
  • Ministério da Agricultura prevê produção de 64 bilhões de litros em 2035.
  • Expansão da cana sobre vegetação nativa preocupa ambientalistas.

O Brasil pode adicionar R$ 403,2 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) até 2035 com a expansão dos biocombustíveis, segundo projeção do Observatório de Bioeconomia da Fundação Getulio Vargas (FGV). O estudo, divulgado em maio de 2026, também estima a criação de 225,5 mil postos de trabalho no período.

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O levantamento considera o aumento da produção de etanol, biodiesel, biometano e combustíveis sustentáveis de aviação (SAF, na sigla em inglês). Para cada R$ 1 investido, o retorno projetado é de R$ 62, conforme os cálculos da FGV.

A cifra bilionária, porém, vem acompanhada de ressalvas. O estudo foi patrocinado pelo Instituto Equilíbrio e pela Agni, entidades ligadas ao setor de bioeconomia, o que levanta dúvidas sobre a independência das conclusões. A FGV não detalhou os termos do patrocínio.

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Potencial econômico e geração de empregos

A projeção da FGV posiciona o Brasil como protagonista na transição energética global. “O Brasil tem a maior oportunidade econômica e climática do agronegócio mundial”, afirma o estudo, ao destacar o potencial de geração de divisas e a contribuição para a descarbonização da matriz energética.

Os 225,5 mil empregos previstos estão concentrados nas cadeias de produção agrícola e industrial dos biocombustíveis. O etanol de milho, em franca expansão no Centro-Oeste, e o etanol de cana-de-açúcar respondem pela maior fatia das vagas.

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Metas de produção e redução de emissões

O Ministério da Agricultura e Pecuária projeta alcançar 64 bilhões de litros de biocombustíveis até 2035. O volume representa um salto significativo em relação aos níveis atuais e está alinhado às metas do Plano ABC+, iniciativa que visa reduzir as emissões de gases de efeito estufa no setor agropecuário.

De acordo com o plano setorial, a adoção de tecnologias de baixo carbono deve evitar a emissão de 27,6 milhões de toneladas de CO₂ equivalente. A cifra integra a Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) brasileira no âmbito do Acordo de Paris. Dados oficiais do ministério indicam que a meta de produção está ancorada em práticas como a recuperação de pastagens degradadas e sistemas integrados de lavoura-pecuária-floresta.

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O alinhamento com o Plano ABC+ reforça a estratégia de descarbonização sem abrir mão do crescimento econômico. A pasta da Agricultura destaca que o incremento na produção de biocombustíveis é essencial para reduzir a dependência de combustíveis fósseis e gerar divisas com a exportação de tecnologia sustentável.

Viabilidade e controvérsias da expansão

Os custos de transição para o etanol de segunda geração, produzido a partir de resíduos como palha e bagaço, são um ponto crítico. Dados da NovaCana indicam que as biorrefinarias demandam investimentos elevados em tecnologia, e a escala comercial ainda é limitada. “O etanol 2G é promissor, mas o custo de produção ainda é maior que o do etanol convencional”, afirmou um pesquisador do setor, em nota técnica.

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A viabilidade do plano depende de políticas de subsídio e da evolução tecnológica para reduzir o custo por litro. Sem esses incentivos, a expansão pode ficar aquém das projeções.

Os impactos ambientais da expansão da cana e do milho para biocombustíveis também geram controvérsia. Dados do MapBiomas mostram que, entre 2020 e 2024, a área de cana cresceu 8% sobre pastagens, mas o avanço sobre vegetação nativa preocupa organizações ambientais.

A conta dos empregos e do PIB, portanto, não incorpora integralmente os custos ecológicos da transição energética. A pressão sobre o uso da terra e a demanda hídrica podem comprometer os ganhos ambientais se não forem adequadamente geridos.

Perguntas frequentes

Quanto os biocombustíveis podem adicionar ao PIB brasileiro?

Segundo a FGV, a expansão dos biocombustíveis pode adicionar R$ 403,2 bilhões ao PIB entre 2030 e 2035, com criação de 225,5 mil empregos.

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Quais são os principais riscos ambientais da expansão dos biocombustíveis?

A expansão pode pressionar biomas como o Cerrado, com avanço sobre vegetação nativa, além de aumentar a demanda hídrica e o uso da terra, comprometendo ganhos ambientais.


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