A Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão na residência do senador Ciro Nogueira (PP-PI) há apenas três dias, em investigação sobre emendas parlamentares suspeitas de desvio para o Banco Master. A ação, realizada no início de maio, confirma que a corporação intensificou operações de alto impacto político enquanto o noticiário se concentra em embates entre Poderes e crises de imagem do governo Lula 3.
Conforme a Polícia Federal, a investida contra o parlamentar integra um inquérito que apura irregularidades em transferências de recursos públicos para a instituição financeira. Os agentes coletaram documentos e equipamentos eletrônicos na residência do senador, uma das principais lideranças do Centrão e aliado histórico do Palácio do Planalto.
O caso de Ciro Nogueira não é um ponto fora da curva. Em abril, a PF indiciou o ex-ministro de Direitos Humanos Silvio Almeida por assédio e importunação sexual, após um ano de apuração sigilosa. A corporação confirmou a informação e enviou o relatório final ao Supremo Tribunal Federal.
Esquemas bilionários sob investigação
Enquanto a atenção pública se volta para debates partidários, a Polícia Federal também deflagrou, em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU) e a Receita Federal, operações contra organizações criminosas que desviaram R$ 30 milhões do Programa Farmácia Popular e R$ 200 milhões da transposição do rio São Francisco. Dados da CGU indicam que 2025 foi o ano com o maior número de operações conjuntas contra a corrupção já registrado pelo órgão.
Em Minas Gerais, outra frente reuniu PF e CGU para desarticular um esquema bilionário de fraudes e danos ambientais, ampliando o alcance das investigações para além dos círculos políticos tradicionais. As apurações alcançaram também lideranças do Centrão já na mira em ano eleitoral, conforme investigações em curso na corporação.
Os movimentos da PF, que prosseguem em áreas sensíveis mesmo sob intensa pressão política, sugerem que a blindagem institucional da corporação tem permitido um trabalho de fôlego. Eles ocorrem em paralelo a cobranças públicas — como a determinação do ministro Flávio Dino, do STF, para que o governo apresente em 20 dias um plano de fiscalização de emendas parlamentares.
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