O índice de small caps (SMALL11) voltou a flertar com a média móvel de 200 dias, um nível técnico que divide tendências para grandes investidores institucionais. Na última sessão, o índice operava a R$ 114,95, com alta acumulada de 2,22% em 2026, conforme dados da B3. Mas o cenário que parece promissor nos gráficos esconde riscos que vão além das linhas de suporte e resistência.
Em meio à divulgação de um curso pago, o analista técnico Giba Coelho, da XP, concedeu entrevista ao InfoMoney durante a chamada ‘Semana do Trader Sossegado 2.0’. Ele apontou duas ações como destaques, mas apenas uma foi revelada: Raia Drogasil (RADL3). A omissão da segunda empresa levanta dúvidas sobre a completude da análise e a real intenção por trás da recomendação.
A abordagem exclusivamente gráfica ignora os fundamentos das companhias — como endividamento, liquidez e margens — em um momento em que a Selic está em 14,50% ao ano, segundo dados do Banco Central. Esse patamar de juros encarece o crédito e pressiona justamente as empresas de menor capitalização, que compõem o SMALL11.
O suporte dos 113 mil pontos e as projeções de Fibonacci
Segundo Coelho, a região de 113,00 pontos é um suporte crítico para o índice. Se respeitada, pode abrir caminho para uma recuperação até 126/130 pontos e, posteriormente, até 156,00 pontos — projeção baseada em níveis de Fibonacci. ‘A perda de 108,00 pontos traria sinal de reversão para baixa’, alertou o analista.
Os indicadores de curto prazo, como IFR e MACD, estão em níveis baixos, o que pode sinalizar tanto fragilidade quanto oportunidade de reversão. Um fechamento acima de 116,65 pontos reforçaria o sinal altista, de acordo com a análise. No entanto, a própria condição dos osciladores, em um ambiente de juros elevados, exige cautela.
A Raia Drogasil (RADL3) é a única ação efetivamente citada. O papel testa a média móvel de 200 dias, e um fechamento acima de R$ 22,00 acionaria um gatilho altista, com projeções de R$ 24,50 e R$ 27,00. A recomendação, porém, desconsidera completamente os fundamentos da empresa.
A ação omitida e o conflito de interesses
A segunda ação mencionada no título da matéria do InfoMoney não foi revelada no trecho disponível da entrevista. A omissão alimenta suspeitas de que a estratégia visa gerar audiência para o evento promocional, no qual Coelho promove seu método de análise técnica.
Sem a identificação do outro ativo, o investidor fica sem elementos para avaliar o real escopo da recomendação. A falta de transparência é agravada pelo contexto: a entrevista ocorreu durante a divulgação de um curso pago, o que configura potencial conflito de interesses.
O Banco Central mantém a Selic em 14,50% ao ano, e o IPCA de março de 2026 ficou em 0,88%, indicando inflação ainda persistente, conforme dados oficiais. Nesse ambiente, operações baseadas apenas em suportes e resistências podem subestimar riscos de reversão, especialmente para empresas de menor capitalização.
Os riscos de ignorar os fundamentos
A análise técnica de small caps, como a divulgada no evento da XP, expõe o investidor a riscos amplificados pelo custo do capital. Em nenhum momento Coelho mencionou o endividamento ou a liquidez das companhias. Conforme a própria reportagem, a abordagem é exclusivamente gráfica, sem avaliação de balanços ou projeções de lucro.
‘A região de 113,00 é suporte e, se respeitada, pode levar a recuperação para 126/130 e depois 156’, afirmou o analista. Contudo, indicadores como IFR e MACD em níveis baixos podem sinalizar fragilidade, e não oportunidade, especialmente quando o custo do capital pressiona empresas menores.
A ausência de declaração de conflito de interesses — já que o analista promovia um curso pago — também acende um alerta. Investidores devem buscar análises que combinem aspectos técnicos e fundamentalistas antes de tomar decisões, sobretudo em um cenário de juros elevados e inflação persistente.
❓ Perguntas frequentes
Por que a análise técnica de small caps pode ser arriscada?
Porque ignora fundamentos como endividamento e liquidez das empresas, especialmente em um cenário de Selic a 14,50% ao ano, que encarece o crédito e pressiona companhias de menor capitalização.
Qual ação foi recomendada pelo analista da XP?
Apenas Raia Drogasil (RADL3) foi citada. A segunda ação mencionada no título da entrevista não foi revelada, o que levanta dúvidas sobre a transparência da recomendação.
O que significa o teste da média móvel de 200 dias pelo SMALL11?
É um nível técnico observado por investidores institucionais como divisor de tendência. Um fechamento acima pode sinalizar alta, enquanto a perda do suporte em 108 mil pontos indicaria reversão para baixa.










