Em uma ofensiva contra o mercado de “previsões preditivas”, o Ministério da Fazenda determinou o bloqueio de 27 plataformas internacionais que operavam sem licença no Brasil. Entre as afetadas estão gigantes como Kalshi e Polymarket, cujas avaliações de mercado somam US$ 20 bilhões. A decisão atende a uma pressão direta das casas de apostas esportivas tradicionais, que exigem a aplicação rigorosa da Lei 14.790/23, que impõe tributação pesada e um capital mínimo de R$ 30 milhões para operação legal no país.
Zona Cinzenta e Concorrência Desleal
Diferente das apostas esportivas, os mercados preditivos permitem negociar contratos sobre probabilidades de quase qualquer evento, de resultados eleitorais a oscilações climáticas. Para o governo brasileiro, essa prática configura aposta ilegal por não seguir as normas de segurança do consumidor e evasão fiscal. As empresas de “bets” tradicionais alegam que as plataformas internacionais praticam concorrência desleal ao operar em uma “zona cinzenta” regulatória, sem as mesmas obrigações de licenciamento exigidas pelo fisco nacional.
O Futuro da Regulamentação
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e o Ministério da Fazenda iniciaram diálogos para criar um marco regulatório específico para esses mercados, que misturam elementos financeiros e de entretenimento. Contudo, uma resolução recente do Conselho Monetário Nacional (CMN) já inviabilizou o modelo de pagamentos utilizado por muitas dessas plataformas no Brasil, dificultando o acesso de apostadores locais a sites estrangeiros que não possuem sede ou representante legal no país.
Contexto: A Explosão das ‘Bets’ no Brasil
Desde a legalização das apostas de quota fixa em 2018, o Brasil tornou-se um dos maiores mercados de jogos online do mundo. A nova regulamentação de 2023 busca tirar o setor da informalidade, gerando arrecadação bilionária para o governo. O bloqueio de plataformas como Polymarket — famosa por prever eleições globais — sinaliza que o governo não permitirá atalhos para empresas que desejam acessar o massivo volume de capital dos apostadores brasileiros.










