O Salão de Pequim 2026 foi palco do lançamento do Mornine M1, o robô humanoide desenvolvido pelo grupo automotivo chinês Chery em parceria com a Aimoga Robotics. Vendido na China pelo equivalente a R$ 210 mil, o robô apresenta um design inovador com traços femininos, projetado para interações “naturais” em concessionárias e varejo. Contudo, a apresentação pública frustrou entusiastas da automação ao exibir o dispositivo operando via controle remoto, revelando que a sonhada autonomia total ainda enfrenta barreiras técnicas intransponíveis para uso comercial imediato.
O Mercado Global de Humanoides
Apesar da demonstração limitada, a Chery aposta em um setor que projeta movimentar US$ 165 bilhões até 2034. A intenção é que o Mornine M1 atue na gestão de estoques e no atendimento básico ao cliente, liberando humanos para tarefas mais complexas. O alto custo do aparelho, convertido do yuan para reais, evidencia o abismo tecnológico e econômico para sua implementação no Brasil, onde o custo do capital (Selic a 14,75%) e a falta de infraestrutura de conectividade 6G limitam a adoção de robótica avançada.
Ética e Estereótipos na Robótica
A escolha de um design com feições femininas gerou debates paralelos sobre ética e representatividade na inteligência artificial. Críticos apontam que a tendência de projetar robôs de serviço com aparências de gênero reforça estereótipos de servidão, um tema que ganha peso à medida que essas máquinas deixam as fábricas para conviver em ambientes sociais. A Chery defende que a estética visa apenas reduzir a sensação de “estranheza” (o vale da estranheza) durante o atendimento ao público leigo.
Contexto: A Chery Além dos Carros
Conhecida mundialmente por seus veículos elétricos e SUVs, a Chery busca diversificar seu portfólio para se tornar uma empresa de soluções integradas de mobilidade e inteligência artificial. O investimento em humanoides é uma resposta direta à Tesla de Elon Musk e ao seu robô Optimus, sinalizando que a corrida pela supremacia tecnológica do século XXI será disputada não apenas nas ruas, mas em todos os espaços onde a interação humana puder ser automatizada.










