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Economia

Mercado de cannabis dos EUA de US$ 40 bi se adapta ao boom de remédios emagrecedores

Popularização dos GLP-1 muda consumo e pressiona empresas do setor nos EUA e Brasil

· 3 min de leitura · Atualizado em 05.06.2026 · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • Mercado legal de cannabis dos EUA avaliado em US$ 40 bilhões passa por transformação devido à popularização dos medicamentos GLP-1.
  • Medicamentos GLP-1 reduzem a compulsão alimentar típica da maconha, alterando o comportamento do consumidor.
  • Varejistas americanos ajustam portfólio e marketing para produtos de baixa dosagem e uso mais consciente.
  • Estudos indicam que GLP-1 podem atrasar efeitos dos comestíveis de cannabis, aumentando riscos de consumo excessivo.
  • Fenômeno impacta também o mercado brasileiro, que enfrenta desafios econômicos e regulatórios para adaptação.

O mercado legal de cannabis dos Estados Unidos, avaliado em cerca de US$ 40 bilhões, está passando por uma transformação impulsionada pela popularização dos medicamentos para emagrecimento à base de GLP-1, como semaglutida e tirzepatida, segundo especialistas e executivos do setor. Essa mudança altera o comportamento do consumidor, reduzindo a compulsão alimentar típica associada ao uso da maconha, o que força varejistas a repensar seus produtos.

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Pesquisas e relatos de varejistas confirmam essa alteração no comportamento do consumidor. De acordo com dados da Mordor Intelligence, o mercado americano de cannabis tem projeção de crescimento para US$ 102,1 bilhões até 2030, com taxa anual composta de 18%. A adoção dos GLP-1 desde 2024 vem impactando o consumo tradicional, especialmente o fenômeno conhecido como ‘larica’, que estimula o aumento do apetite após o uso da maconha.

Conforme a Realm of Caring, organização que monitora tendências do setor, houve um aumento significativo nas consultas relacionadas ao uso da cannabis para perda de peso e supressão do apetite desde 2024. Varejistas como o Stoops NYC, em Nova York, já recomendam produtos de baixa dosagem, como comestíveis e vaporizadores, para usuários que combinam o consumo com medicamentos GLP-1, informou a empresa.

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Estudos preliminares indicam que o retardamento do esvaziamento gástrico causado pelos GLP-1 pode atrasar o efeito dos comestíveis de cannabis, elevando o risco de consumo excessivo e efeitos intensificados, segundo a Curio Wellness. A cofundadora Wendy Bronfein afirmou que a Curio Wellness busca oferecer orientações claras no ponto de venda para esse novo perfil de consumidor.

Michael Flemmens, vice-presidente executivo de pesquisa da SōRSE Technology, destacou a complexidade da interação entre cannabis e GLP-1, afirmando que ‘não existe um cenário de um mais um igual a dois aqui’, alertando para os riscos e variabilidade individual no uso combinado. Enquanto isso, Nora Volkow, diretora do Instituto Nacional sobre Abuso de Drogas dos EUA, apontou que pacientes com diabetes tratados com GLP-1 apresentaram melhoras no transtorno por uso de cannabis.

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Impactos econômicos e estratégicos no setor de cannabis

Apesar do encolhimento de até 70% em alguns segmentos do mercado, empresas como a Aurora Cannabis reportaram aumento de receita de 11% no segundo trimestre de 2025, conforme dados da companhia. O mercado de cannabis nos EUA superou em vendas segmentos tradicionais como chocolate e cerveja artesanal em 2022, segundo a Bloxs, mas agora enfrenta o desafio de se adaptar ao novo perfil do consumidor influenciado pelos GLP-1.

Esse cenário força empresas a ajustarem portfólios e estratégias de marketing para produtos com dosagens controladas e usos específicos, como alívio de estresse e auxílio para dormir, conforme análise da SōRSE Technology. Steph Woods, vice-presidente de vendas da empresa, observou uma migração para um uso mais intencional e menos compulsivo da cannabis.

Repercussões para o mercado brasileiro e desafios locais

No Brasil, o fenômeno americano pode influenciar o mercado de cannabis medicinal e de bem-estar, especialmente em regiões com interesse crescente na regulamentação, como Piracicaba, conforme especialistas do setor. Contudo, a alta taxa SELIC de 14,75% e a cotação do dólar a R$ 4,9653, segundo o Banco Central, elevam o custo de importação de insumos e tecnologias, pressionando empresas locais a adaptarem suas estratégias.

Além disso, a falta de estudos clínicos robustos sobre a interação entre GLP-1 e cannabis, combinada com os efeitos colaterais comuns dos GLP-1, como náuseas e ansiedade, apontam para a necessidade de cautela no desenvolvimento de produtos combinados. O mercado brasileiro precisa acompanhar essas pesquisas para evitar riscos sanitários e aproveitar oportunidades econômicas.

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