As deputadas federais Erika Hilton (PSOL-SP) e Tabata Amaral (PSB-SP) acionaram a Polícia Federal e o Ministério Público Federal para pedir a identificação de perfis que publicaram comentários de incitação ao estupro e à necrofilia após a morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, 21, em um salto de rope jump no interior de São Paulo.
A representação foi enviada na segunda-feira (15), dois dias depois do acidente na Ponte do Esqueleto, entre Limeira e Cordeirópolis. As parlamentares querem que os autores das mensagens sejam investigados e responsabilizados, deslocando o caso das redes sociais para órgãos com poder de requisitar dados e identificar usuários.
O pedido mira publicações feitas depois da morte da jovem e trata os comentários como violência misógina. A quantidade de perfis citados na representação não foi informada publicamente, e a abertura de inquérito ainda depende de manifestação da PF e do MPF.
Morte em rope jump é investigada como homicídio com dolo eventual
Maria Eduarda morreu no sábado (13) durante um salto de rope jump de cerca de 40 metros. A atividade ocorria na Ponte do Esqueleto, ponto conhecido na região, e custava R$ 180. A Polícia Civil passou a investigar a morte como homicídio com dolo eventual, hipótese aplicada quando se apura se os responsáveis assumiram o risco de produzir o resultado.
Três instrutores foram presos no domingo (14). A investigação aponta que a jovem deveria estar presa a duas cordas, mas saltou sem estar conectada a nenhuma delas. Instrutores também disseram não se lembrar da checagem feita antes da queda, etapa central para esclarecer a cadeia de responsabilidades no acidente.
Essa frente criminal corre separada do pedido apresentado pelas deputadas. De um lado, a polícia investiga as circunstâncias do salto e a conduta dos profissionais envolvidos. De outro, PF e MPF foram acionados para avaliar se comentários publicados na internet configuram crime e podem levar à identificação dos autores.
Representação tenta levar ataques das redes à investigação formal
Ao acionar os órgãos federais, Erika Hilton e Tabata Amaral buscam preservar provas digitais, identificar contas e obter eventual cooperação das plataformas. Em casos desse tipo, a responsabilização depende da conservação de registros, da vinculação entre perfis e usuários e da avaliação jurídica sobre o conteúdo publicado.
Mensagens de incentivo à violência sexual não atingem apenas a vítima e sua família. Elas ampliam a exposição de mulheres a ataques misóginos, transformam uma tragédia em instrumento de humilhação pública e testam a capacidade das instituições de reagir a crimes praticados no ambiente digital.
O próximo passo concreto é a análise do pedido pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal. Se houver abertura de procedimento, os órgãos poderão solicitar preservação de dados, pedir informações às plataformas e avançar na identificação dos perfis apontados pelas parlamentares.











