A Amazon informou que seus data centers consumiram 2,5 bilhões de galões de água em 2025, o equivalente a cerca de 9,46 bilhões de litros. O número dá escala a uma discussão que deixou de ser apenas técnica: a infraestrutura que sustenta computação em nuvem e inteligência artificial também disputa água, energia e território nas regiões onde se instala.
A cifra, divulgada nesta quinta-feira (11), coloca a AWS no centro de uma cobrança crescente por transparência ambiental. Data centers usam água principalmente em sistemas de resfriamento, necessários para manter servidores em operação contínua. Com a expansão de cargas de IA, que exigem mais processamento e densidade de equipamentos, a pressão sobre recursos naturais virou um dos pontos sensíveis da corrida tecnológica.
A conversão considera o galão americano, de 3,78541 litros. Por esse cálculo, 2,5 bilhões de galões correspondem a aproximadamente 9,46 bilhões de litros. O dado, porém, não permite sozinho medir impacto ambiental local: faltam detalhes públicos sobre escopo, regiões, tipo de captação, método de resfriamento e volume efetivamente reposto no mesmo período.
Meta da AWS promete devolver mais água até 2030
A Amazon Web Services afirma em sua página de sustentabilidade que pretende se tornar water positive até 2030. Na prática, a empresa diz buscar a devolução de mais água às comunidades do que consome em suas operações diretas. A meta foi anunciada em novembro de 2022 e faz parte da estratégia ambiental da companhia para seus serviços de nuvem.
A promessa, contudo, não elimina a necessidade de prestação de contas anual. Uma meta agregada para 2030 não esclarece quanto cada instalação consome, quais bacias hidrográficas são mais pressionadas, se há unidades em áreas de estresse hídrico nem como os projetos de reposição compensam o uso registrado em 2025.
Essa distinção importa porque o consumo de água de um data center não tem o mesmo peso em todos os lugares. Um volume elevado em uma região com abundância hídrica pode ter efeito diferente do mesmo volume em uma área sujeita a seca, disputa por abastecimento ou restrição regulatória. Sem recorte geográfico, o número mostra a dimensão da operação, mas não revela onde está o maior risco.
IA aumenta a cobrança sobre data centers
A pressão sobre a Amazon acompanha um movimento mais amplo das big techs. A demanda por IA generativa acelerou a construção e a ampliação de data centers, elevando a necessidade de energia, chips, redes e sistemas de refrigeração. O debate ambiental deixou de se limitar às emissões de carbono e passou a incluir uso de água, licenciamento local e impacto sobre comunidades vizinhas.
No caso da AWS, a falta de detalhamento público sobre o consumo de 2025 impede comparações consistentes com anos anteriores e com concorrentes. Também dificulta separar o que vem de crescimento orgânico da nuvem, de expansão ligada a IA e de mudanças na tecnologia de resfriamento adotada em diferentes instalações.
O número tampouco deve ser lido como consumo líquido, dano ambiental direto ou uso exclusivo por inteligência artificial. Para chegar a essas conclusões, seria necessário conhecer a metodologia, o perímetro operacional considerado, os projetos de reposição hídrica, eventuais auditorias independentes e a distribuição regional do consumo.
O que o número já muda
Mesmo sem todos os detalhes, a cifra de 9,46 bilhões de litros desloca o debate. Ela transforma a água em um indicador central da expansão digital, ao lado de energia e emissões. Para investidores, reguladores e comunidades, a pergunta passa a ser menos abstrata: onde esses data centers crescem, quanta água retiram e quanto devolvem de forma comprovável?
A consequência prática é uma cobrança por relatórios mais granulares. Para sustentar a meta de ser positiva em água até 2030, a Amazon terá de mostrar não apenas compromissos globais, mas balanços anuais capazes de ligar consumo, reposição, localização das unidades e impacto sobre bacias específicas.
Por ora, o dado de 2025 estabelece a escala do desafio: a nuvem que alimenta serviços digitais e IA depende de uma infraestrutura física pesada, e sua licença social para crescer tende a depender cada vez mais da transparência sobre água.











