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Companhia usou caixa operacional para recomprar 82,5% do programa e divulgou 'Bitcoin Yield Ajustado' que exclui ações recompradas, inflando artificialmente o indicador.

Méliuz consome R$ 30 milhões do caixa em recompra de ações e usa métrica não padronizada para divulgar retorno

Companhia usou caixa operacional para recomprar 82,5% do programa e divulgou 'Bitcoin Yield Ajustado' que exclui ações recompradas, inflando artificialmente o indicador.

· 4 min de leitura · Atualizado em 14.05.2026 · NEXUS A.I. do PIRANOT - Editoria de Loterias

Pontos-chave

  • Méliuz recomprou R$ 30 milhões em ações com caixa operacional.
  • Métrica 'Bitcoin Yield' exclui ações recompradas e infla retorno.
  • Selic de 14,50% supera o retorno anualizado de 12,42% da recompra.
  • Derivativos e falta de transparência preocupam minoritários.

O Méliuz (CASH3) consumiu R$ 30 milhões do próprio caixa em seis meses para recomprar 7,5 milhões de ações, mas o que chama atenção é a métrica usada para divulgar o feito: um ‘Bitcoin Yield Ajustado’ que, conforme documento oficial da empresa, exclui justamente os papéis readquiridos, inflando artificialmente o retorno por ação.

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A companhia, listada na B3, executou 82,5% do programa autorizado entre outubro de 2025 e maio de 2026, utilizando recursos gerados pela operação, segundo comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O montante equivale a cerca de R$ 30 milhões, valor que deixou de ser investido no negócio ou distribuído como dividendos.

A decisão ocorre em um ambiente de juros elevados. A taxa Selic, definida pelo Banco Central, está em 14,50% ao ano, patamar que supera o retorno anualizado de 12,42% do programa de recompra — o chamado ‘Bitcoin Yield Ajustado’, conforme divulgado pela própria empresa.

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Métrica não padronizada preocupa especialistas em governança

O ‘Bitcoin Yield Ajustado’ é uma criação do Méliuz, sem respaldo em normas contábeis ou regulatórias. Documento arquivado na CVM revela que o cálculo ‘considera exclusivamente as ações em circulação da Companhia, desconsiderando aquelas recompradas no âmbito do programa de recompra de ações’.

Na prática, ao excluir os papéis readquiridos, o indicador infla artificialmente o retorno atribuído ao bitcoin por ação remanescente. Em fevereiro de 2026, o Méliuz divulgou um yield de 4,38%, número que saltou para 6,90% em maio, anualizado para 12,42%.

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Especialistas em governança corporativa alertam que esse tipo de métrica não-GAAP pode mascarar a real saúde financeira. A ausência de padronização dificulta comparações e pode induzir investidores a erro, especialmente quando o indicador supera o retorno efetivo para acionistas.

Recompra financiada com caixa próprio em meio a juros altos

A recompra foi executada por meio de contratos de derivativos com contrapartes, o que adiciona complexidade e riscos financeiros, segundo documentos enviados à CVM. Em cenários adversos, tais instrumentos podem gerar perdas adicionais, pressionando ainda mais o caixa.

O Méliuz afirma que a operação foi ‘integralmente financiada pelo caixa gerado nas operações’, mas não esclarece os critérios para priorizar a recompra em detrimento de investimentos no negócio ou distribuição de dividendos. A diferença entre a Selic de 14,50% e o retorno anualizado de 12,42% levanta questionamentos sobre a eficiência na alocação de capital.

Acionistas minoritários têm manifestado preocupação. Para eles, a companhia deveria focar em fortalecer sua operação ou remunerar o capital via dividendos, em vez de apostar na valorização das ações com uma métrica não padronizada.

Estratégia de exposição a Bitcoin ainda não convence o mercado

Apesar do discurso de que as ações estão subvalorizadas, os papéis CASH3 não mostraram reação significativa após os anúncios de recompra e da métrica de ‘Bitcoin Yield’. Dados da B3 indicam que o volume negociado e a cotação permaneceram estáveis, sugerindo ceticismo dos investidores.

A empresa divulgou um ‘Bitcoin Yield Ajustado’ de 6,90% no semestre, mas não detalhou se o cálculo reflete ganhos realizados ou apenas efeitos contábeis da variação do ativo digital. A volatilidade do bitcoin e a falta de clareza sobre a custódia e os riscos cambiais também preocupam.

Conforme apuração do InfoMoney, a recompra foi feita via derivativos, mas não há informações públicas sobre as contrapartes ou garantias envolvidas. Para acionistas minoritários, a estratégia levanta dúvidas sobre a real destinação de capital e a exposição a um ativo de alto risco, sem que a empresa tenha divulgado métricas padronizadas de retorno sobre o patrimônio líquido ou fluxo de caixa livre.


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