O Museu Nacional/UFRJ, no Rio, apresenta nesta segunda-feira (22) obras de Vik Muniz feitas com cinzas e resíduos do incêndio que destruiu grande parte da instituição em 2018. A mostra integra a programação dos 208 anos do museu e se insere no retorno gradual do público ao Paço de São Cristóvão, ainda em reconstrução.
As obras partem de material remanescente da tragédia para dialogar com relíquias perdidas do acervo. O gesto aproxima duas frentes que atravessam a história recente do museu: a recuperação física do prédio histórico e a tentativa de reconstruir, pela memória, parte do patrimônio científico e cultural consumido pelo fogo.
Vik Muniz, artista brasileiro de projeção internacional, tornou-se conhecido por criar imagens a partir de materiais pouco convencionais, como açúcar, lixo, chocolate, terra e sucata. No Museu Nacional, a escolha das cinzas dá ao trabalho uma carga simbólica direta: a matéria da perda passa a compor novas imagens dentro da própria instituição atingida pelo incêndio.
Arte entra na reconstrução simbólica do Museu Nacional
Fundado em 6 de junho de 1818, o Museu Nacional completou 208 anos em 2026. A instituição, vinculada à Universidade Federal do Rio de Janeiro, ocupava o Paço de São Cristóvão, antiga residência da família imperial, quando o incêndio de 2 de setembro de 2018 destruiu coleções científicas, documentos, fósseis, peças arqueológicas e registros acumulados ao longo de dois séculos.
Desde então, o museu tenta recompor seu acervo, restaurar o prédio e recuperar seu lugar como espaço público de ciência, educação e memória. A presença de uma exposição de Vik Muniz nesse processo amplia o alcance da reabertura parcial: a reconstrução deixa de ser apenas obra civil e passa também pelo modo como o país elabora uma perda cultural de dimensão rara.
A programação temporária inclui ainda as exposições “Bastidores da Ciência” e “Rescaldo das Memórias”, associadas ao reencontro do público com áreas do Paço de São Cristóvão. As mostras ocupam salas abertas ao visitante e reforçam a tentativa de apresentar não só o que se perdeu, mas também o trabalho de pesquisadores, técnicos e restauradores na preservação do que restou.
Mostras ficam abertas ao público até agosto
As exposições temporárias do Museu Nacional/UFRJ têm visitação prevista até 30 de agosto. A mostra com obras de Vik Muniz integra esse conjunto e marca um dos momentos mais visíveis da programação de aniversário da instituição.
O museu ainda não detalhou publicamente, em uma ficha completa, a lista de relíquias recriadas, a identificação de cada obra e o percurso exato dos resíduos usados pelo artista. O fato já confirmado é a exibição de trabalhos produzidos a partir das cinzas ou de remanescentes do incêndio, dentro da programação oficial de reocupação parcial do Paço.
Para o público, a visita oferece um recorte da nova fase do Museu Nacional: uma instituição que ainda carrega as marcas do fogo, mas volta a abrir salas, organizar exposições e transformar vestígios da destruição em linguagem artística e memória pública.











