A editora norte-americana Marcia Lucas, primeira mulher a vencer o Oscar de Melhor Montagem em 24 anos pelo trabalho em “Star Wars: Episódio IV — Uma Nova Esperança”, morreu aos 80 anos, vítima de câncer. A morte foi confirmada pela família em comunicado divulgado em 2 de junho de 2026 e noticiada pela BBC no mesmo dia.
Em nota, a família afirmou que “Marcia será lembrada como uma brilhante contadora de histórias, uma pioneira para as mulheres no cinema” e que “seu trabalho era conhecido por sua inteligência emocional, ritmo e humanidade”. Marcia e George Lucas foram casados de 1969 a 1983 e são pais adotivos de Amanda Lucas.
De American Graffiti à Estrela da Morte
Nascida em 1945, Marcia começou a trabalhar com montagem nos anos 1960, em plena Nova Hollywood. Em “American Graffiti” (1973), ao lado de George Lucas, consolidou a parceria que a levaria aos maiores projetos da década. Em 1976, editou “Taxi Driver”, de Martin Scorsese — exercício de ritmo e tensão psicológica que se tornaria referência da escola americana de montagem.
Foi em “Star Wars” (1977), porém, que sua assinatura entrou para a história do cinema. A sequência do ataque à Estrela da Morte, com cortes sincronizados à trilha de John Williams e progressão acelerada da tensão, é estudada até hoje em escolas de cinema como um dos momentos fundadores do blockbuster moderno. Em entrevistas ao longo dos anos, George Lucas reconheceu que o ritmo final do filme deveu-se em grande parte ao trabalho de Marcia na ilha de edição.
O Oscar de 1978
Na cerimônia do Oscar de 1978, Marcia Lucas dividiu a estatueta de Melhor Montagem com Paul Hirsch e Richard Chew, tornando-se a primeira mulher a vencer a categoria em 24 anos. A premiação consolidou seu nome como referência feminina em uma função técnica historicamente dominada por homens — papel que voltaria a ser citado décadas depois em debates sobre crédito criativo nos grandes estúdios.
Após o divórcio de George Lucas, em 1983, Marcia se afastou progressivamente da indústria. Em raras aparições públicas, falou sobre o desejo de viver longe dos holofotes e dedicar-se à filha. A obra que deixou, no entanto, continuou objeto de estudo e de homenagens da comunidade do cinema, que voltou a se manifestar nas redes sociais ao longo desta semana, lamentando a perda e relembrando o impacto de seus cortes na trilogia original de “Star Wars”.











