O Ibovespa caiu 1,8% e o dólar fechou a R$ 4,9809 após o Intercept Brasil divulgar mensagens e áudios sobre negociações do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O episódio foi apelidado de ‘Flávio Day 2.0’ e reacendeu o temor de volatilidade eleitoral. O primeiro ‘Flávio Day’ ocorreu em dezembro de 2025, quando a confirmação de Flávio Bolsonaro como pré-candidato derrubou o Ibovespa em até 4,2% e elevou o dólar em 2,28% em um único pregão.
O movimento atual repetiu o padrão de correlação entre bolsa, moeda e renda fixa. Apesar de a Selic estar em 14,50% e o IPCA de abril ter sido de 0,67%, a narrativa política ofuscou os fundamentos econômicos.
Revelações do Intercept e reação do mercado
O Intercept Brasil divulgou conversas que detalham tratativas entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. A revelação derrubou o Ibovespa e levou o dólar à faixa dos R$ 5, mas a moeda devolveu parte da alta e fechou a R$ 4,9809.
“A reação dos mercados locais, com movimentos bruscos e de mesma direção, evidencia a alta correlação dos ativos de risco. Houve perda de valor na bolsa, na moeda e nos títulos de renda fixa”, afirmou Ian Caó, diretor de investimentos da Gama.
Diversificação é recomendada, mas com cautela
Diante da volatilidade, analistas reforçaram a importância de diversificar carteiras, especialmente com ativos internacionais. Paula Sauer, economista e professora da ESPM, destacou a necessidade de clareza nos objetivos. “É preciso ter muito claro quais são os objetivos, para que o investidor não se sinta impelido a mudar sua carteira a cada mudança na direção dos ventos”, disse.
Michael Viriato, estrategista-chefe da Casa do Investidor, alertou que a decisão de alterar a composição da carteira deve ser guiada por mudanças de cenário, não por movimentos de preço. Ele indicou ETFs com hedge cambial como opção para exposição internacional sem risco cambial. Esses produtos tiveram desempenho superior aos equivalentes sem proteção nos últimos 20 a 30 anos, com menor volatilidade. Viriato também ressaltou que adicionar ações americanas a um portfólio sem posição em bolsa no Brasil não é diversificação, mas aumento de risco.










