O Banco Master, controlado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, pagou R$ 2,3 milhões à Entre Investimentos, empresa que centralizou os repasses para o financiamento do filme biográfico do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Documentos e mensagens obtidos pelo Intercept Brasil revelam que o valor total movimentado chega a R$ 61 milhões (US$ 10,6 milhões) entre fevereiro e maio de 2025.
A Entre Investimentos atuou como intermediária dos recursos destinados à Go Up Entertainment, produtora do longa “Dark Horse” (“O Azarão”). O CEO da empresa, Antonio Carlos Freixo Júnior, também é controlador da revista “IstoÉ”.
Perfil do banqueiro
Daniel Vorcaro acumula histórico de disputas no mercado de ativos digitais, incluindo um calote bilionário em uma empresa de criptomoedas.
Negativas e reações
A Go Up Entertainment negou à Folha ter recebido verbas de Vorcaro para o projeto. A declaração contrasta com as evidências do Intercept e com a fala do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência. Flávio confirmou que pediu os aportes, mas afirmou não haver irregularidades.
O deputado federal Paulo Teixeira (PT) ironizou os valores. “A Lei Rouanet da família Bolsonaro é Daniel Vorcaro. Imagine a intimidade dos Bolsonaro para cobrar R$ 134 milhões? E que filme é esse? Avatar, Titanic, Os irmãos cara-de-pau?”, escreveu nas redes sociais.
Repercussão política
As revelações intensificam o escrutínio sobre as finanças da família Bolsonaro e suas relações com o sistema financeiro. A presença de Freixo Júnior como operador dos repasses coloca um grupo de comunicação no centro da operação.
Com Flávio Bolsonaro na condição de pré-candidato, a transparência sobre os R$ 61 milhões tende a se tornar tema central no debate eleitoral. Os termos do acordo entre a produtora e o banco não foram divulgados.
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