sábado, 18 de julho de 2026
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Em entrevista à Vanity Fair, atriz de 76 anos conta bastidores de 'A Morte Lhe Cai Bem' e da negociação que mudou sua carreira

Meryl Streep quase abandonou Hollywood antes de ‘O Diabo Veste Prada’

Em entrevista à Vanity Fair, atriz de 76 anos conta bastidores de 'A Morte Lhe Cai Bem' e da negociação que mudou sua carreira

· 4 min de leitura · Atualizado em 08.05.2026 · NEXUS A.I. do PIRANOT - Editoria de Loterias

Pontos-chave

  • Meryl Streep revelou que dobrou o cachê para 'O Diabo Veste Prada' e o estúdio aceitou imediatamente
  • Atriz afirmou que quase se aposentou antes de aceitar o papel de Miranda Priestly, aos 57 anos
  • Streep contou que se irritava com atrasos de Goldie Hawn no set de 'A Morte Lhe Cai Bem', mas hoje são amigas

Meryl Streep estava prestes a abandonar Hollywood. Aos 57 anos, a atriz mais indicada ao Oscar se via diante de um dilema comum às mulheres maduras na indústria: papéis escassos e cachês em declínio. Foi nesse cenário que ela recebeu o convite para viver a temível editora de moda Miranda Priestly em “O Diabo Veste Prada” (2006). Em entrevista à Vanity Fair para promover a sequência recém-lançada, Streep revelou que, para testar o real interesse do estúdio, fez uma exigência ousada: dobrou o valor do cachê proposto. “Eu sabia que seria um sucesso e quis ver o que aconteceria se eu dobrasse o valor que pedi… E eles imediatamente disseram: ‘Claro'”, contou.

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A confissão expõe as engrenagens de uma indústria que frequentemente subvaloriza atrizes experientes. Streep, que acumula três estatuetas do Oscar e 21 indicações, admitiu que a aceitação imediata do estúdio foi um divisor de águas. O filme não apenas a transformou em ícone pop, como redefiniu seu poder de barganha em Hollywood. A atriz, hoje com 76 anos, reflete sobre o episódio como um marco contra o etarismo: “Eu tinha 50, 60 anos e pensei: ‘É isso, vou me aposentar‘”, disse, antes de decidir apostar no papel que a apresentaria a uma nova geração.

Bastidores de ‘A Morte Lhe Cai Bem’

A entrevista à Vanity Fair também revisitou memórias de “A Morte Lhe Cai Bem” (1992), comédia de humor negro dirigida por Robert Zemeckis. No set, Streep contracenou com Goldie Hawn e Bruce Willis, e foi justamente a parceria com Hawn que gerou atritos. “Goldie… ela sempre dirigia até o set. Chegava com o cabelo todo… ‘Ah, meu Deus, desculpa!’ E todo mundo achava: ‘Ah, ela é tão fofa’. Então eu fiquei meio irritada”, revelou Streep, em tom bem-humorado. A atriz explicou que os atrasos constantes da colega, hoje com 80 anos, a tiravam do sério, mas que a relação evoluiu para uma amizade sólida. “Hoje a gente ri disso. Ela é uma pessoa maravilhosa”, contemporizou.

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O filme, que satiriza a obsessão pela juventude em Beverly Hills, foi descrito por Streep como “quase um documentário sobre Beverly Hills”. A produção, que arrecadou cerca de US$ 149 milhões mundialmente, tornou-se cultuada com o tempo, mas na época representou um desafio para a atriz, acostumada a dramas densos. Já Bruce Willis, que interpreta o cirurgião plástico Ernest Menville, foi elogiado por Streep como “um verdadeiro cavalheiro”, apesar da fama de “bad boy” em outros sets. A declaração ganha peso emocional diante do quadro de demência frontotemporal enfrentado por Willis, diagnosticado em 2023.

Impacto na carreira e na indústria

A revelação sobre a negociação de “O Diabo Veste Prada” ecoa em um momento em que a sequência do filme está em cartaz, alimentando o debate sobre a valorização de atrizes maduras. Dados da USC Annenberg Inclusion Initiative mostram que, em 2024, apenas 25% dos papéis em Hollywood foram destinados a mulheres acima de 45 anos. Streep, ao dobrar seu cachê sem resistência, subverteu essa lógica e abriu precedentes. “Foi um choque perceber que eu podia pedir o dobro e eles simplesmente aceitarem. Isso nunca tinha acontecido antes”, afirmou.

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A franqueza de Streep também joga luz sobre a estratégia de marketing por trás das entrevistas de divulgação. A menção à quase aposentadoria e ao atrito com Hawn — minimizado pela própria atriz como uma “rusga” — serve para humanizar a estrela e gerar identificação com o público. No entanto, a ausência de confirmação independente sobre o valor do cachê e a falta de declarações de Hawn ou dos estúdios deixam lacunas na narrativa. Ainda assim, o relato reforça a imagem de Streep como uma profissional que, mesmo no auge, precisou lutar contra a invisibilidade etária.

O legado de “O Diabo Veste Prada” vai além da bilheteria: o filme arrecadou US$ 326 milhões globalmente e rendeu a Streep sua 14ª indicação ao Oscar. Para a atriz, o papel de Miranda Priestly não foi apenas um sucesso comercial, mas uma declaração de resistência. “Eu estava cansada de ouvir que mulheres da minha idade não vendiam ingressos”, desabafou. A declaração ecoa como um lembrete de que, em Hollywood, o talento feminino muitas vezes precisa se impor com números — e com um bom agente.

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