O aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, declarou que Teerã assumirá o controle do Estreito de Ormuz assim que o conflito com os Estados Unidos terminar. A fala, divulgada pela agência estatal IRNA, acende um alerta geopolítico com potencial de respingar diretamente no bolso do consumidor brasileiro.
A passagem estratégica concentra cerca de 20% do tráfego mundial de petróleo, segundo dados da Administração de Informação de Energia dos EUA (EIA). Qualquer ameaça à livre navegação no canal tende a pressionar as cotações internacionais do barril.
O governo iraniano já havia aprovado um plano para cobrar pedágio de navios petroleiros que cruzam o estreito, conforme informou a emissora estatal Press TV. A medida, se implementada, encareceria o frete e o seguro do transporte marítimo, com reflexos imediatos nas bombas de gasolina e diesel.
Ameaça ao fluxo global de petróleo
“Após a guerra, administraremos o Estreito de Ormuz. Não permitiremos que outros o controlem”, afirmou Khamenei, segundo a IRNA. A declaração ocorre em meio ao impasse nas negociações nucleares entre Teerã e Washington, que se arrastam sem acordo.
A tensão na região já vinha pressionando as cotações, e a sinalização de controle físico do canal por Teerã agrava o cenário de incerteza para o abastecimento global. O risco de interrupção no fornecimento pode elevar o barril de forma expressiva, segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (ABICOM).
Impacto direto no bolso do brasileiro
A ABICOM alerta que um aumento sustentado do petróleo encarece diretamente a gasolina, o diesel e o gás de cozinha no mercado interno. “Qualquer disrupção ou ameaça concreta ao tráfego em Ormuz mexe com o preço do frete marítimo e do seguro, e isso chega rápido às bombas”, afirmou Sérgio Araújo, presidente da associação.
O diesel, insumo vital para o transporte de cargas, seria o primeiro a refletir a alta, com repasse a toda a cadeia logística. O gás de cozinha, consumido por mais de 90% dos lares brasileiros, também ficaria mais caro, pesando no orçamento das famílias de baixa renda.
A Petrobras, segundo a ABICOM, pode ser forçada a reajustar seus preços caso a crise se agrave e o patamar do barril se mantenha elevado por semanas. A estatal adota uma política de preços que acompanha as referências internacionais, e um choque externo dessa magnitude tende a reduzir a margem para segurar reajustes.
Impasse nuclear e escalada militar
As negociações entre EUA e Irã sobre o programa nuclear estão travadas, com ameaças militares de ambos os lados. A Casa Branca rejeitou a exigência iraniana de cobrança de pedágio a navios no Estreito de Ormuz.
Países árabes do Golfo também se opõem ao plano. Em meio ao impasse, o presidente russo, Vladimir Putin, tenta mediar a crise, apresentando propostas ao governo de Donald Trump.
“O Golfo Pérsico terá um futuro brilhante sem a presença dos EUA”, declarou Khamenei. A escalada das tensões eleva o risco de interrupção no fornecimento de petróleo, com potencial impacto direto nos preços dos combustíveis no Brasil.
❓ Perguntas frequentes
Como o controle do Estreito de Ormuz pode afetar o preço da gasolina no Brasil?
O estreito concentra 20% do tráfego global de petróleo. Ameaças à navegação elevam o frete e o seguro marítimo, pressionando as cotações internacionais do barril. Como a Petrobras segue referências externas, a alta é repassada às bombas.
O Irã já cobra pedágio no Estreito de Ormuz?
Ainda não. O governo iraniano aprovou um plano para implantar a cobrança, mas a medida não foi efetivada. A Casa Branca e países árabes do Golfo rejeitam a exigência, o que mantém a tensão na região.










