Mãe de família, desempregada e sem o auxílio emergencial do governo. Essa é a realidade de dezenas de mulheres beneficiárias do Bolsa Família ouvidas pelo Agora, da Folha de S.Paulo, que relatam não terem recebido o benefício de R$ 1.200 em abril.

De acordo com o Ministério da Cidadania e com a Caixa, quem ganha até R$ 600 de Bolsa Família e se enquadra nas regras definidas (como não ter emprego formal, por exemplo) tem direito ao dinheiro emergencial que começou a ser paga em abril. No caso de mães chefes de família, a cota é dupla e, logo, recebem R$ 1.200.
“Sou mãe solteira e recebo R$ 130 de Bolsa Família, que veio em abril sem o valor do auxílio”, diz a pescadora Denise dos Santos, 27 anos, de Nova Olinda (MA). “Estou prestes a passar fome com minha filha e não consigo uma explicação. Quando tento entrar pelo aplicativo, diz que já tenho cadastro único”, queixa-se.
O pagamento do auxílio segue o calendário normal do Bolsa Família, que, em abril, teve início no dia 16.
O benefício emergencial, de acordo com a Caixa, é recebido automaticamente, sem necessidade de cadastro pelo aplicativo.
A operadora de telemarketing Liliana Oliveira, 31 anos, de São Paulo (SP), recebe R$ 180 de Bolsa Família e reclama que o pagamento também veio sem o auxílio. “Atendo a todos os critérios e o benefício foi negado. No aplicativo, a mensagem é de que o cidadão ou membro da família já recebem o auxílio emergencial.” Ela diz que ninguém da família pediu o benefício, nem o pai da filha de sete meses. Há casos em que o pai da criança chega a solicitar o benefício pelo CPF do filho que mora com a mãe, conforme revelado pela Folha.
Brena Alves da Silva, 26 anos, do Rio de Janeiro (RJ), está desempregada e ganha R$ 212 de Bolsa Família. Ela não recebeu o auxílio ao tentar pelo aplicativo. Ao contestar, a resposta foi de que já recebe o valor. “Não tenho como pagar o aluguel e nem as coisas dos meus filhos. Estou dependendo da minha mãe.”
Em nota, a Caixa diz que apenas faz o pagamento do auxílio e que cabe à Dataprev e ao Ministério da Cidadania a avaliação dos critérios de elegibilidade e a concessão dos benefícios. A pasta, no entanto, ainda não havia se posicionado até a conclusão deste texto.
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