quinta-feira, 23 de julho de 2026
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Economia

União pode abrir mão de R$ 190,7 bi com renegociação de dívidas estaduais

· 3 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • Sem a compensação com ativos, a renúncia fiscal poderia chegar a R$ 350,3 bilhões no mesmo período.
  • O Propag permite refinanciar dívidas estaduais com juros de 0% a 2% ao ano mais IPCA, taxas inferiores às de captação do Tesouro.
  • A diferença entre as taxas de juros é o principal fator da perda de receita projetada pela IFI.
  • O programa abrange a maioria dos estados, mas exclui Paraná e Santa Catarina, entre outros.
  • Em junho, o Tesouro desembolsou R$ 834,8 milhões para honrar dívidas de estados e municípios.

A Instituição Fiscal Independente (IFI) projeta que a União deixará de receber R$ 190,7 bilhões ao longo de 30 anos com a adesão dos estados ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag). O cálculo foi divulgado nesta quinta-feira (23) em relatório de acompanhamento fiscal.

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O valor representa a renúncia estimada caso os estados utilizem ativos — como imóveis ou participações em estatais — para amortizar parte das dívidas renegociadas. Sem essa compensação, o impacto subiria para R$ 350,3 bilhões, segundo a IFI.

O Propag permite que os estados refinanciem seus débitos com a União a juros de 0% a 2% ao ano mais IPCA, abaixo do custo de captação do Tesouro Nacional no mercado. A diferença entre as taxas é o principal fator por trás da perda de receita projetada.

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Juros reduzidos ampliam custo fiscal

As dívidas estaduais com a União vêm sendo renegociadas há décadas, com mudanças sucessivas em prazos e indexadores para aliviar os caixas regionais. Com o Propag, a União alonga o perfil desses passivos, mas assume o risco de receber de volta menos do que paga para se financiar.

Pelas regras, os estados podem quitar parte do saldo devedor entregando ativos à União. A IFI considerou esse mecanismo no cenário de R$ 190,7 bilhões, o que explica a diferença em relação ao impacto de R$ 350,3 bilhões projetado sem essa compensação.

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Impacto nas contas públicas

A renúncia fiscal projetada equivale a uma redução média de 0,2 ponto percentual na receita anual da União ao longo das três décadas. O montante total, de R$ 190,7 bilhões, dimensiona o custo fiscal de trocar recebimentos futuros por condições mais leves aos estados.

O descasamento entre o custo de captação do Tesouro — que emite títulos a taxas de mercado — e o retorno das dívidas estaduais renegociadas é o centro do problema. Enquanto a União paga juros mais altos para se financiar, recebe dos estados remuneração inferior, o que acumula perda de receita ao longo do tempo.

A IFI ressalva que a estimativa depende da efetiva transferência de ativos e de sua avaliação de mercado, que pode oscilar. O relatório não incorpora eventuais ganhos fiscais indiretos, como a retomada de investimentos estaduais viabilizada pelo alívio no serviço da dívida.

Adesão dos estados define tamanho da renúncia

O Propag já está em vigor, mas a materialização da renúncia fiscal dependerá do ritmo de adesão dos estados e da concretização das amortizações extraordinárias com ativos. Na prática, quanto maior a adesão e menor o retorno financeiro desses bens, maior tende a ser o custo para a União nos próximos 30 anos.


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