Empresários industriais querem levar ao centro da disputa presidencial uma cobrança direta sobre a carga tributária: reduzir impostos e consolidar a reforma que redesenha a cobrança sobre o consumo no país.
A demanda foi divulgada nesta segunda-feira (22), em agenda nacional do setor voltada aos presidenciáveis. O recado combina duas frentes que caminham juntas, mas têm efeitos fiscais diferentes: a indústria quer previsibilidade para operar sob as novas regras tributárias e, ao mesmo tempo, pressiona por alívio no custo de produzir, investir e contratar.
O ponto sensível está no orçamento. Cortar impostos pode reduzir custos para empresas e consumidores, mas também pode abrir perda de arrecadação se não vier acompanhado de compensação, redução de despesas ou ganho de receita em outra área. Por isso, a proposta tende a esbarrar na regra fiscal e na meta de resultado das contas públicas.
Os percentuais, o universo de empresas ouvidas e a metodologia da consulta empresarial não foram apresentados publicamente junto com a divulgação inicial. Ainda assim, a cobrança explicita a prioridade política do setor: transformar a agenda tributária em compromisso de campanha.
Reforma já muda o planejamento das empresas
A reforma tributária foi promulgada em dezembro de 2023 pela Emenda Constitucional nº 132 e começou a ganhar regras operacionais com a Lei Complementar nº 214, sancionada em janeiro de 2025. A transição começou em 2026, com uma etapa de teste para adaptação de empresas, governos, sistemas de nota fiscal e formas de apuração.
O novo modelo substitui tributos sobre consumo por uma estrutura baseada no Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), de competência de estados e municípios, e na Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), de competência federal. A promessa é simplificar um sistema hoje marcado por cumulatividade, disputas judiciais e diferenças de tratamento entre setores.
Para a indústria, a previsibilidade da transição é tão importante quanto a alíquota final. Empresas precisam ajustar contratos, sistemas, formação de preços, créditos tributários, fluxo de caixa e decisões de investimento. Quanto mais instável for a regulamentação, maior tende a ser o custo de adaptação.
Corte de carga exige conta fechada
A cobrança por corte de impostos tem apelo econômico evidente: carga menor pode melhorar margens, reduzir preços, estimular investimentos e aliviar o custo de cadeias produtivas. O problema é que, do lado do governo, qualquer renúncia relevante precisa caber na política fiscal.
Na prática, uma promessa de redução tributária só se sustenta se vier com resposta para três perguntas: qual imposto será reduzido, quem ganha com a mudança e como a arrecadação será recomposta. Sem essa conta, a pauta vira pressão eleitoral, não programa fiscal executável.
O debate também ocorre em um ambiente de juros ainda decisivo para a atividade econômica. Para a indústria, o custo do crédito pesa sobre capital de giro, expansão de fábricas e compra de máquinas. A agenda tributária, portanto, se soma à discussão sobre inflação, Selic e ritmo de crescimento.
Contribuinte não tem corte automático garantido
Para o consumidor, a reforma não significa queda automática de impostos. A mudança reorganiza a cobrança sobre bens e serviços e busca reduzir distorções, mas o efeito final nos preços dependerá das alíquotas, das exceções, dos regimes específicos e da calibragem feita durante a transição.
Também há disputa sobre quem deve receber tratamento diferenciado. Setores que obtêm regimes especiais reduzem sua própria carga, mas podem elevar a alíquota padrão paga pelos demais contribuintes se o governo precisar preservar a arrecadação total.
O próximo passo político é saber como os presidenciáveis vão responder à pressão empresarial: com promessa genérica de desoneração ou com proposta detalhada de compensação fiscal. É essa diferença que dirá se a pauta da indústria terá força para virar plano de governo.











