A SpaceX prepara uma emissão de títulos de pelo menos US$ 20 bilhões no mercado americano, em um movimento que recoloca a empresa de Elon Musk no centro das atenções de investidores poucos dias depois do maior IPO já registrado.
As teleconferências com investidores podem começar na segunda-feira (22). Essas reuniões costumam anteceder a definição da demanda, do preço e das condições finais de uma oferta de dívida. A operação ainda pode mudar de tamanho ou cronograma conforme a recepção do mercado.
A emissão chama atenção pela escala e pelo momento. A SpaceX acaba de levantar US$ 75 bilhões na Bolsa e agora testa o apetite por sua primeira oferta de títulos em dólares com grau de investimento, uma categoria que tende a atrair fundos globais com mandatos mais conservadores.
Oferta vem depois do maior IPO da história
A SpaceX precificou suas ações a US$ 135 em 11 de junho e estreou na Bolsa americana no dia seguinte. No primeiro pregão, os papéis fecharam em alta de 19,2%, consolidando a captação de US$ 75 bilhões.
O valor superou com folga o recorde anterior, da Saudi Aramco, que havia levantado US$ 25,6 bilhões em 2019. A estreia marcou a passagem da SpaceX de uma empresa privada, condição mantida desde 2002, para uma das companhias mais observadas do mercado público global.
Depois do IPO, a avaliação de mercado da companhia avançou para a casa dos trilhões de dólares. Em 16 de junho, a SpaceX chegou a ser avaliada em US$ 2,7 trilhões, impulsionada pela estreia em Bolsa e por expectativas ligadas a contratos e parcerias em tecnologia.
Dívida bilionária testa confiança em Musk
A nova captação também expõe a pergunta central para investidores: a SpaceX pretende usar a dívida para refinanciar compromissos, acelerar projetos ou reforçar o caixa após o IPO. A empresa não detalhou bancos contratados, prazo dos títulos, taxa de juros ou destino específico dos recursos.
A companhia informou receita de US$ 18,7 bilhões em 2025 e prejuízo de US$ 4,9 bilhões no mesmo período. A Starlink, operação de internet via satélite, permanece como a principal fonte de receita do grupo e sustenta parte relevante da tese de crescimento apresentada ao mercado.
Elon Musk mantém 82% do controle da SpaceX. Esse grau de concentração reforça a associação direta entre a companhia e seu fundador, mas não impediu a procura por ações na estreia nem o interesse preliminar pela nova dívida.
O próximo termômetro será a rodada de conversas com investidores. Se a demanda se confirmar, a SpaceX poderá sair do IPO recorde diretamente para uma das maiores emissões corporativas recentes em dólares, ampliando sua presença no radar de fundos globais de renda fixa.










