Os pedidos iniciais de seguro-desemprego nos Estados Unidos subiram para 229 mil na semana encerrada em 6 de junho, informou nesta quinta-feira (11) o Departamento do Trabalho americano. O número ficou acima da expectativa de mercado compilada pela FactSet, de 216 mil solicitações.
A alta foi de 4 mil pedidos em relação à semana anterior, quando o total havia ficado em 225 mil. A leitura não muda sozinha o diagnóstico sobre o mercado de trabalho dos EUA, mas pesa porque o indicador é um dos termômetros mais rápidos sobre demissões no país.
Para investidores, o dado entra em uma conta maior: a força do emprego americano ajuda a calibrar as apostas sobre quando e em que ritmo o Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, poderá reduzir juros. Um mercado de trabalho ainda resistente tende a dar menos urgência a cortes; sinais de perda de tração aumentam a expectativa de alívio monetário.
Pedidos continuados também avançam
Os pedidos continuados, que medem pessoas que seguem recebendo o benefício, chegaram a 1,795 milhão na semana encerrada em 30 de maio. O total cresceu 24 mil ante a leitura anterior e também superou a projeção da FactSet, de 1,790 milhão.
Esse recorte ajuda a mostrar não apenas quantas pessoas entraram no seguro-desemprego, mas também por quanto tempo trabalhadores seguem dependentes do auxílio. Quando os pedidos continuados sobem, a leitura possível é que parte dos desempregados encontra mais dificuldade para voltar ao mercado.
Dado entra no radar de juros, dólar e bolsas
O impacto para o Brasil é indireto, mas relevante. Indicadores de emprego nos EUA influenciam as apostas para os juros americanos, mexem com os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA e podem alterar o fluxo de recursos para países emergentes.
Juros mais altos por mais tempo nos Estados Unidos costumam fortalecer o dólar e aumentar a competição por capital global. Para empresas brasileiras, o canal aparece no câmbio, no custo de financiamento e nas condições de mercado para exportadores, importadores e tomadores de crédito.
A leitura desta quinta-feira reforça a cautela: os pedidos subiram mais que o esperado, mas ainda precisam ser avaliados junto com inflação, criação de vagas, salários e atividade econômica antes da próxima decisão do Federal Reserve.











