O endividamento das famílias paulistanas chegou em maio ao maior nível em quatro anos e se aproximou de 80%, segundo a FecomercioSP. O avanço indica que quase oito em cada dez lares da capital carregam algum compromisso financeiro, como cartão, financiamento, carnê, empréstimo ou conta parcelada.
A piora foi rápida. Em março, 71,1% das famílias da cidade declaravam ter dívidas. Em abril, a taxa subiu para 72,9%. No mês seguinte, o indicador deu novo salto e ficou perto de 80%, patamar que reforça a pressão sobre o orçamento doméstico na maior metrópole do país.
O dado importa porque São Paulo concentra renda, consumo e comércio em escala nacional. Quando mais famílias comprometem parte da renda com dívidas já assumidas, sobra menos espaço para novas compras, especialmente em um ambiente de crédito caro, juros elevados e custo de vida ainda pesado para itens básicos.
Alta local acompanha recorde nacional
O movimento na capital paulista ocorre ao mesmo tempo em que o endividamento das famílias brasileiras bateu recorde. Em maio, 81,6% dos lares do país declararam ter algum tipo de dívida, maior percentual da série histórica iniciada em 2015, de acordo com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo.
O índice nacional subiu 0,7 ponto percentual em relação a abril e avançou 3,4 pontos percentuais na comparação com maio do ano anterior, quando estava em 78,2%. A trajetória mostra que a pressão não se limita à capital paulista: ela se espalha pelo orçamento das famílias em um momento em que o crédito continua mais seletivo e mais caro.
A comparação ajuda a dimensionar o problema, mas os levantamentos medem universos diferentes. A FecomercioSP acompanha a situação das famílias na capital paulista; a CNC mede o quadro nacional. Nos dois casos, o sinal é o mesmo: mais renda comprometida antes mesmo de o mês começar.
Orçamento apertado reduz fôlego para o consumo
Endividamento não significa, necessariamente, inadimplência. Uma família pode estar endividada e manter os pagamentos em dia. Ainda assim, a alta do indicador acende alerta porque mostra que uma fatia maior da população depende de compras parceladas, crédito rotativo, financiamentos ou outras obrigações para organizar o consumo.
Esse quadro tende a pesar mais sobre famílias de renda menor, que têm menos margem para absorver aumentos de preços, juros e despesas fixas. Para o varejo, o efeito é direto: quanto maior o comprometimento da renda, menor a disposição para assumir novas compras, sobretudo as de maior valor.
A prévia regional divulgada para maio informa o salto para perto de 80%, mas não apresenta o percentual fechado de inadimplência nem a abertura por tipo de dívida na capital. Por isso, o ponto central é o tamanho da escalada: em apenas dois meses, a fatia de famílias paulistanas endividadas saiu de 71,1% para quase oito em cada dez.
Com a alta em São Paulo e o recorde nacional de 81,6%, o retrato de maio é de famílias mais comprometidas financeiramente e de um consumo com menos folga. O próximo efeito deve aparecer no varejo: mais cautela nas compras e maior disputa por crédito em condições menos pesadas.










